quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Eduardo Cunha, o esperto

O Ministério Público está pedindo mais de 300 anos de prisão para Eduardo Cunha.
O que Eduardo Cunha nos ensina?
Ensina-nos que “o mundo não é dos espertos”.
Se existia alguém velhaco e que pensava em todos os detalhes, esse era o Eduardo. Aquela pessoa que quer ganhar em tudo, que não aceita perder nada, que quer controlar todo mundo.
Pois é. Quis ser muito esperto, dançou.
Não queira ser muito esperto, aquela pessoa que desconfia de todo mundo, que acha que todo mundo está querendo tirar proveito dela, e daí ela presume demais, vive de presumir e de se antecipar a tudo e a todos, sempre com uma carta na manga para qualquer contratempo que surja. É feia essa pessoa. Ela não desfruta a simplicidade da vida.
Quem presume demais, esquece de viver.
O outro te passou para trás, azar o dele. Ele vai se deliciar com isso, mas não vai dar em nada não, geralmente pessoas assim ficam sozinhas.  
Prudência é uma coisa. Neurose em querer ganhar sempre é doença.
Por outro lado, singeleza é uma coisa. Ingenuidade pueril é vacilo.  
Fica esperto, mas não muito, a ponto de ser tornar neurótico.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Teologia de Calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano - Parte 4/4

Parte 4/4

Sacerdócio Melquisedequeano

Diz o livro santo, em inefável inspiração, que o Cristo é O Sumo Sacerdote, aquele que intercede pelos seus. Que ele é o sacerdote e o sacrifício, tendo oferecido um único e suficiente sacrifício. Ele sim está entre Deus e os homens, só ele e mais ninguém, na condição exclusiva de mediador.
Ele é o modelo. Ele é o padrão. Ele liberta da matéria. Já não se precisa mais de arca da aliança, de shofar, candelabro de 7 velas, de estolas sacerdotais, de vestuários próprios, de templos físicos, de elementos transubstanciáveis, de dinheiro, de rituais, de relíquias, de liturgias pretensamente abridoras do acesso ao alto, de objetos de qualquer natureza ou de mediador humano.
Por que Melquisedequeano?
A referência é a Melquisedeque, um rei sacerdote sem genealogia, sem começo nem fim de dia e que em um encontro com Abraão trouxe pão e vinho, mesmos elementos usados pelo Cristo na última ceia.
É sabido que Jesus era judeu, e judeu da tribo de Judá, assim como Davi, seu ancestral. Como judeu da tribo de Judá ele não poderia ser sacerdote, conforme exposto acima que somente os pertencentes à tribo de Levi poderiam ser sacerdotes.
Mas a bíblia afirma que Jesus era sacerdote.
O livro harmoniza a situação esclarecendo que Ele era sacerdote não segundo a ordem levítica, mas segundo a ordem de Melquisedeque, uma ordem superior a dos levitas, pois diz o livro santo que os levitas, na pessoa de Abraão, deram ofertas a Melquisedeque e foram abençoados por este, logo, se “o maior abençoa o menor”, aqui temos o sacerdócio levítico sendo abençoado pelo sacerdócio melquisedequeano, demonstrando que lhe é superior.
É espetacular, mas não surpreendente que Jesus seja sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
Diz o livro santo que Jesus elevou seus seguidores à condição de reis e sacerdotes, ou seja, segundo o livro em outro trecho, um sacerdócio real, condição que o sacerdócio nos modelos apresentados anteriormente não foi capaz, tanto não foi capaz que o rei Saul atuou como sacerdote e perdeu o reinado por isso.
Atenção: o termo “rei” aqui não referencia o conceito musical/ideológico/filosófico da versão gospel do termo. O missivista já renegou o movimento, pois que, dentre outros, o movimento reivindica inapelavelmente posicionar-se sempre como “cabeça” jamais como “cauda” numa exegese tendenciosa de determinado trecho da escritura.
Aqui já não há uma casta, uma elite, um grupo de pessoas que seriam representantes de Dxus, de autoridades que se postam sobre os demais como que os comandando e dominando, as chamadas “coberturas”.
O eco reverbera bem alto desde antanho aos dias dessa graça, repercutindo que “entre vós não será assim”.
Como Melquisedeque, que não teve nem princípio nem fim de dias, como o vento que sopra onde quer, assim esses sacerdotes estão à mercê do comando do Espírito Santo, fazendo o que bem Lhe aprouver, cujo trabalho não está mais circunscrito a lugares, títulos, ascendências, objetos, músicas, dinheiro. Aqui os sacerdotes são adoradores 24 horas por dia, não no templo, não quando cantando, não quando ministrando, mas no trabalho, no descanso, na intimidade do leito sagrado e do lar. Um ambiente em que ninguém é mestre, ninguém é pai (exceção óbvia feita à progenitura), ninguém é guia, pois que o Cristo proibiu que se tratasse o outro assim, conforme Mateus.
Nesse sacerdócio o emocional não prevalece sobre o racional, nem vice-versa. Esses sacerdotes são treinados para aplicarem um e outro no seu tempo adequado, como adequado é o conceito quem têm de si, nem com a auto-estima exacerbada, nem como vítimas de falsa modéstia, nem como triunfalistas, nem como usuários da autocomiseração. Sem clichês, sem discurso e vocabulário formatados, sem resposta pronta pra tudo, sem apontar de dedos.
E quanto ao discipulamento, o que há, então? Como ele ocorre?
Há compartilhamento, muito compartilhamento. De irmãos mais velhos, já talhados, muitas vezes na bigorna, já experimentados, muitas vezes na crise, já escaldados, muitas vezes no isolamento, já provados e aprovados, muitas vezes no estreito. Contudo, compartilhamento invariavelmente sob uma relação no nível horizontal, sem ascendência, sem preferências, sem prerrogativas especiais, sem destaque, sem poderes humanos autoritários/despóticos/pernósticos.
O sacerdócio melquisedequeano é a quintessência da relação humana, pois que extrapola, transcende as relações terrenas, elevando-as a um nível superior. Aqui não há lugar para a cultura patriarcal do machismo, tampouco para a cultura revanchista do feminismo. Aqui não há lugar para disputas por posições, por domínio, por vantagens.
Nesse sacerdócio as barreiras caem, todas elas. Ninguém é considerado pelo poder financeiro ou intelectual, pela cor dos olhos ou da pele, pelo cabelo liso ou crespo, pela silhueta esguia ou não, pelo peso ou pela altura, pelo IPTU ou pelo IPVA que paga.
Grandeza das grandezas, aqui ninguém é tratado como igual, que ninguém é igual a ninguém. Do pedreiro ao engenheiro, do lixeiro ao empresário, do aluno ao professor, da ovelha ao pastor, do homem à mulher, do rico ao pobre, do preto ao branco, cada um é cada um, com suas idiossincrasias, e, em suas individualidades, cada um é tratado com o devido respeito que merece como ser humano, como filho de Deus e como sacerdote, com a equidade devida e com a possibilidade de ação, ministração, compartilhamento e ensino aberta a todos num ambiente sem distinções, sem disputas, sem comparações.    
O sacerdócio melquisedequeano é o cumprimento da cruz, a conclusão da obra de Deus. Por esse sacerdócio o mundo pode ser resgatado, pois que o Cristo brilha, o Cristo fala, o Cristo cura, o Cristo salva, o Cristo media, o Cristo É, como o Pai É, como o Espírito Santo É.
“O brilho desse mundo se apaga ante ti, a glória dessa terra nada é”.   
O sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque rasgou o véu. Véu que separava as pessoas da presença santa. Véu que é a sua carne (há um mistério aqui). Sim, quando ele teve o seu corpo rasgado pela lança do soldado, o véu do templo se rasgou sem ação humana. 
Como o véu se rasgou, o sacerdócio levítico, bem como os seus sucedâneos findaram, pois eram tão somente sombras da realidade, e o homem pode agora entrar o impenetrável e falar diretamente com o Magnânimo, sem a necessidade da intervenção e mediação humanas.
O sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque fala com o homem, em sua inteireza, em sua completude, em sua condição, seja ela qual for. Ele o alcança na alma, no espírito e no corpo, ou seja, esse sacerdote não deixa o homem passando fome nem sede, de nenhum tipo, ainda que ele esteja doente, preso, nu ou seja forasteiro (ou imigrante), conforme Mateus.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Anitta

Anitta. Quem é Anitta? Uma criatura digna de dó, de pena, com todo respeito que ela, como ser humano, merece.
Parece que estou sendo sarcástico, mas não estou. Estou sendo sincero. De outra parte, não estou sendo prepotente, como que olhando-a de cima para baixo, como se fosse superior a ela. Não mesmo.
O que ocorre é que parece que não lhe avisaram que ela é a Gretchen do século XXI, que hoje é motivo de piada em qualquer roda de bebedores de cerveja.
Está claro que ela é um produto de mercado, com empresários a fazer fortuna em cima dela. O mercado vive disso, de achar pessoas que “vendam”. Elementar, meu caro.
E pensar que a geração anterior cresceu ouvindo Gal Costa, Maria Bethania e Elis Regina. Eu sei que a comparação é infame, mas não poderia deixar de dizer. 

Teologia de calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano - Parte 3/4

Parte 3/4

Sacerdócio Evangélico

O termo “evangélico” aqui se refere à parte advinda do protestantismo, não referenciando o evangelho propriamente dito.

Se o evangelicalismo é filho do catolicismo, pois nasceu dele, e se o catolicismo é herdeiro do judaísmo, logo, o evangelicalismo é herdeiro do judaísmo. Triste, mas assim é.
Desse modo, percebe-se os mesmos elementos fundamentais do sacerdócio levítico nas três modalidades: a hierarquia piramidal, a distinção entre clero e leigos e a valorização do templo físico. Se no sacerdócio levítico esses elementos eram explícitos, no sacerdócio evangélico eles são tácitos, embora determinantes e indispensáveis para seu funcionamento.
O sacerdócio evangélico, em nome dessa herança, empenha-se em resgatar até mesmo símbolos e práticas eminentemente judaicas, como a presença em seus cultos regulares de cópias da arca da aliança, shofar, candelabro, bandeira de Israel com a estrela de Davi dentre outros elementos judaicos.
Aqui, como nos demais modelos, a autoridade dos ministros é deveras e exacerbadamente valorizada, chegando ao requinte de estender-se às suas expressões mais elementares em que até líderes de grupos familiares são entendidos como coberturas espirituais, sendo que essa cobertura é uma excrescência instalada no meio que diz que os líderes são superiores aos seus liderados, postando-se entre Dxus e eles, assumindo assim a função de mediador. Se isso se verifica nos grupos familiares, de forma tão e mais intensa, e perniciosa, se verifica nas instâncias superiores. Eu sei do que estou falando.
Como no levítico e no católico, aqui também o ministro é/seria o representante de Dxus e está/estaria autorizado a comandar a vida dos discípulos, sendo absolutamente proibido questionar essas figuras, cuja respectiva obediência é compulsória. Esse sacerdócio explora alguns trechos isolados da bíblia para ensinar que as “autoridades, ou, os ungidos” não podem ser “tocados”. Outra excrescência.
Respeito é bom e todo mundo gosta, desde que a todos indistintamente.
Essa marcante característica presente nos modelos católico e evangélico da ampliação do conceito da autoridade pessoal, como se isso fosse possível, é muito peculiar, mas estranha ao evangelho.  
Oras! Autoridade não é uma coisa que “se é”, mas algo que “se tem” por um determinado período e para uma determinada causa. É um comissionamento no tempo e no espaço, não um estado de espírito, um estado de “ser”. Contudo, nesses sacerdócios distorceu-se o conceito e a autoridade foi transferida para a pessoa, impregnando-a com uma condição da qual ela não tem direito de apropriar-se, embora “adore” ser tratada como tal.
Essa característica traz a reboque algo que já deveria ter sido superado, mas que, paradoxalmente, foi recrudescido, qual seja, a super valorização dos títulos com o decorrente culto à personalidade, pelos quais cria distinções, todas, de novo, estranhas ao evangelho.
É flagrante a influência de outros modelos aqui como o militar e o empresarial. A coisa toda funciona como uma empresa, como um quartel, com CNPJ, estatuto, regimentos, diretorias, clientela (membresia), controles e o que mais convier aos controladores. Algumas delas, pertinentes em relação à sociedade, mas sem qualquer valor espiritual.
Há contrapontos, vários. Por exemplo, não é raro ver ministros esgotados pelo trabalho que se apresenta de forma extenuante uma vez que a demanda é grande, sempre, em que, via de regra, esses ministros se percebem isolados, em alguns casos, até abandonados, sob o argumento de que o ministério deve ser fruto de sacrifícios, o que vale para segundos e terceiros escalões, jamais para os da primeira classe, comumente muito bem estabelecidos.
Outro fator fortemente presente nos três modelos de sacerdócio, com ênfase aos dois últimos, é a questão do dinheiro.
Tudo gira em torno do dinheiro, exatamente aquele que o Cristo acusou de mau.
As promessas, as bênçãos, a prosperidade, o sucesso, as conquistas, os livramentos, as vitórias, os milagres, tudo está atrelado ao dinheiro. O fiel tem que entrar com essa parte, sob pena de não ser devidamente abençoado. Em nome dessa troca proposta por esses sacerdotes se tem praticado as mais infames barganhas, o que acaba por produzir um efeito colateral deveras indesejável, ou seja, a resistência do outro público à mensagem da qual eles se dizem portadores, dada a exploração da boa vontade daqueles que são manipuláveis com coisas dessa terra, como riqueza, prosperidade e cura de enfermidades, quando, especialmente essa última, deveria ser tratada de uma forma a mais sensível e digna, pois que todos são susceptíveis a precisarem dela. A cura não deveria ser tratada como um balcão de negócios.    
Uma característica muito peculiar desse sacerdócio é a ultra-valorização da adoração através da música, que toma parte considerável nos cultos e em que seus ministros chegam a ser tratados como “levitas” numa clara e indevida referência ao ministro do culto levítico. Alguns desses ministros são alçados à condição de astros com direito a fãs.
O meio produz algumas peças totalmente antagônicas ao evangelho como quando em “espírito de adoração” ministros e seguidores cantam que querem “abençoar o coração de Dxus”.  Chocante, mas é isso mesmo, demonstrando o quanto o homem é elevado e Dxus rebaixado nesses ambientes.   
Digo de nota é o quanto o poder sensorial da música é explorado aqui. Seja pelos ritmos alegres, seja pelos melodiosos, produz-se uma associação desses ritmos com a adoração, quando na verdade o que está presente é a manipulação das sensações, coisa que astros musicais, especialmente do meio secular, sabem fazer com excelência.
Nota 1: Há uma escusa para o sacerdócio levítico. Porque, embora tudo ali, como todo o Antigo Testamento, aponte para Jesus, desde t o d o s os episódios, passando por t o d o s os personagens, que sem a perspectiva em Jesus ficam sem o sentido transcendental, sendo tão somente histórias e pessoas interessantes, como várias outras do mundo antigo, sim, a escusa se dá porque não conheceram o Cristo e não o ouviram, embora sentissem que algo muito grande e superior em todos os aspectos estivesse por vir. Escusa que não se pode aplicar aos sacerdócios sucedâneos, pois esses ouviram o Cristo.
Nota 2: É IMPRESSIONANTE o reducionismo a que é submetido o Cristo. Um estudante de religiões que não conhecesse a bíblia, mas tão somente a prática daqueles que se dizem seguidores da fé bíblica, certamente colocaria Jesus entre o panteão dos deuses, como mais um importante personagem, rodeado por alguns profetas, reis e apóstolos.
Embora esses que se dizem seguidores da fé bíblica tratem Jesus como Senhor, como estabelece a bíblia, na prática, eles não agem como tal, não lhe dando a primazia absoluta, cujas palavras proferidas por Sua boca são mais umas dentre tantas outras, consideradas por eles tão grandes quanto ou mais, basta ver, para isso, em que os pregadores baseiam suas prédicas.
Oras! As palavras do Cristo são imensurável e incomparavelmente superiores a quaisquer outras palavras proferidas e escritas por quem quer que seja. Atenção: Paulo inclusive.
Nota 3: Com destaque para o sacerdócio evangélico, alimenta-se e promove-se verdadeira guerra intelectualóide em que se defende a ferro e fogo algumas linhas doutrinárias teológicas que, dada a beligerância do confronto entre as partes, não têm nada a ver com o evangelho.      
Nota 4: Desde tempos antigos, quando as pessoas disseram para Moisés que elas não queriam ouvir Dxus, que era para ele ouvir Dxus e dizer para elas o que ele havia dito, criou-se uma distorção aí. No mesmo sentido, as pessoas envolvidas com a revelação, olharam para os povos vizinhos e viram que eles tinham reis dominando sobre o povo, então disseram para Samuel que eles também queriam ter um rei, renegando o reinado de Dxus. Desde então instalou-se no meio a figura do mediador, cuja mediação só pode/poderia ser exercida pelo Cristo, o sumo sacerdote. Fato é que os que são colocados nessa posição de mediação “adoram” essa condição e agarram-se a ela qual âncora de navio em mar bravio.  

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Amigo ferido

Atenção: não se abandona um amigo ferido. Por mais cabeça dura que ele seja.

É preciso ter amigos. Amigos de verdade. Em 2018 faça amigos.
Com amigos você não precisa ter muito cuidado para ser quem você é, desde que você tenha o cuidado de não machucá-lo. Você não precisa representar para tentar fazer bonito, para manter a pose. Ele te conhece e sabe até onde você irá, ou não. Com amigos, você não precisa ser muito coerente. A coerência às vezes mata a simplicidade e a criatividade das relações. Quem quer ser muito coerente esquece de viver.
Compre uma moto e vá andar com seu amigo. Isso te fará muito bem. Ou então ache qualquer outro passatempo que desopile seu fígado e vá conviver com seus amigos.
Cameron Poe, personagem de Nicolas Cage em “Con Air – A rota da fuga” numa situação em que tinha que escolher entre salvar-se ou tentar ajudar um amigo ferido, preferiu correr o risco e tentar ajudar o amigo, dizendo que “não trocaria a vida dele pela vida do amigo” e que “não abandonaria um amigo ferido”.

Há ainda o fenomenal Desmond Doss, interpretado por Andrew Garfield em “Até o último homem”, em que ele se arrisca ao extremo em meio a uma batalha super sangrenta para salvar vários homens feridos, logo ele que sequer estava preparado para estar num lugar daquele.
Atenção: não se abandona um amigo ferido. Por mais cabeça dura que ele seja. Dê umas pancadas nele, brigue com ele, mas não o abandone. Se for o caso, morra com ele.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Teologia de Calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano - parte 2/4

Obs.: Aqui não vai nenhum tipo de crítica ao catolicismo, tão somente a narrativa está contextualizada à reflexão. Tenho grandes amigos que seguem o catolicismo, por quem nutro o maior respeito, até porque considero os amigos mais do que considero religião.
O próprio Francisco, o contemporâneo, tem minha admiração, pois que tem coragem de falar coisas que muitos pastores não têm, assim como o outro Francisco, o histórico, foi um grande formador de quem sou hoje. Assim, não tenho crise existencial em relação ao catolicismo. 

Parte 2/4
Sacerdócio Católico
O sacerdócio católico sucedeu o sacerdócio levítico, suprimindo algumas coisas, por exemplo, o sacrifício de animais, e instaurando outras, por exemplo, o incompreensível sacrifício da missa, bem como a Tradição Católica, equiparada por eles à bíblia em importância. Outras características marcantes foram: a) a introdução do celibato, prática deveras questionável, sobretudo quando se avalia a gravidade da pedofilia envolvendo o clero católico, que seria motivada pelo não acesso desses à vida conjugal; b) exploração do valor do relicário, dando-lhe poderes quase divinos; c) dogmas estranhos à bíblia como verdades de fé.
Quanto à estrutura eclesiástica, herdou o modelo levítico e o potencializou. De abrangência mundial o papa, o então representante de Dxus, comanda hordas de discípulos através de uma bem montada e articulada hierarquia piramidal em que os sacerdotes são os ministros e eles trazem/trariam a vontade e os mandamentos de Dxus para o povo.
Não é exclusivista no sentido tribal (levítico) pois que gentios também podem acender ao ministério, mas é generalista no sentido de que somente pessoas do gênero masculino (como no levítico) podem exercer o sacerdócio. É fechado na obediência ao papa e, por assim dizer, à herança histórico milenar da estrutura pesadamente hierárquica, cuja hierarquia é campo fertilíssimo para todo tipo de desmando e desvio, como a história fartamente registra.
Como aquele (levítico) esse também é baseado no comando, no controle, na obediência, na exacerbação da importância da figura do sacerdote, fator deveras estranho à mensagem evangélica, e, como aquele, centrado no templo físico, cujo conceito foi capilarizado, pois se lá havia um templo, aqui são vários os santuários espalhados pelo mundo todo, e copiando o modelo levítico, esse também tem a sua liturgia e práticas religiosas girando em torno de templo, onde Dxus se faria presente e se faria ouvir.  

“Nesse sacerdócio (melquisedequeano) as barreiras caem, todas elas. Ninguém é considerado pelo poder financeiro ou intelectual, pela cor dos olhos ou da pele, pelo cabelo liso ou crespo, pelo peso ou pela altura, pelo endereço ou pelo IPVA que paga.”

A herança é tão flagrante que somente o clero pode oficiar os trabalhos litúrgicos, sendo relegado aos participantes da plebe somente alguns poucos serviços e ministrações.

Aqui, como lá, a distinção entre clero e laicato é patente e salta aos olhos pela incompatibilidade com a mensagem do evangelho. 

sábado, 30 de dezembro de 2017

Teologia de calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano Parte 1/4

Teologia de calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano

Uma busca

Entre vós não será assim

Introdução
Em 2018 completar-se-á 42 anos que estou perseguindo o Senhor, como a corça procura pela água. 42 anos de busca, de procura.
“’Procurar’ é preciso. Viver não é preciso”.
Desde muito cedo, procuro a sublimação da existência humana que se dará/daria, imagino, quando as pessoas puderem/pudessem se relacionar com Deus sem a necessidade da mediação humana, pertinente esta, adequada e necessária, sim, quando se está tratando com neófitos. Depois dessa fase de iniciação à fé, a relação entre pessoas maduras, imprescindível à existência humana, deve dar-se na base da fraternidade, em que tão somente há uns irmãos mais velhos e experientes que outros, mas sem qualquer tipo de ascendência, tão contrária, esta, à mensagem evangélica.
Busquei essa sublimação, a princípio e meio sem saber o que estava fazendo, no catolicismo, em intensidade absurda, período precioso e que me marcou de forma indelével, produzindo a pessoa que sou hoje e a cujo tempo serei eternamente grato a Deus.
Após essa experiência fui para o protestantismo, para onde me dirigi pensando que, por fim, chegaria ao lugar/condição que procurava. Ledo engano.
Nessa procura encontrei, dentre tantas coisas, um confronto, que chamaria de confronto de titãs: De um lado o sacerdócio levítico, com seus sucedâneos, de outro o sacerdócio melquisedequeano.

Parte 1/4
Sacerdócio Levítico
O sacerdócio levítico surgiu há milhares de anos, ainda na época de Moisés, quando instituiu que Levi, um dos filhos de Jacó, exerceria esse ofício.
O exercício desse ofício era extremamente exclusivista, cabendo somente a Levi, e a seus descendentes, a prática sacerdotal na condição de representantes de Dxus, que consistia de atender às demandas dos serviços religiosos primeiramente no tabernáculo e depois no templo, para onde os fiéis se dirigiam para oferecerem, através desses ministros, seus sacrifícios a um Dxus, embora verdadeiro, desconhecido por eles.

“O sacerdócio melquisedequeano é a quintessência da relação humana, pois que extrapola, transcende as relações terrenas, elevando-as a um nível superior.”

Esse ofício era praticado por 3 classes de operadores: o sumo sacerdote, o sacerdote e o levita. Eles detinham a exclusividade no serviço do templo para o que a hierarquia estabelecida era rigorosamente obedecida sem conflito de autoridade e da práxis litúrgica e ritualística, ambas muito ricas em seus detalhes e preceitos e normas e regras, necessárias quando se é novo na fé, sim porque pessoas com distorções de caráter e personalidade não podem ficar à mercê de seu bel prazer. Elas não conseguiriam mudar. Bem por isso, elas precisam de regras e um acompanhamento muito próximo por parte daqueles que são mais antigos. Essa didática valia lá e ainda hoje se faz necessária, enfatizando, contudo, que é aplicável a neófitos tão somente, uma vez que uma pessoa depois de amadurecida e tratada já não carece mais de tutores a lhe indicarem o caminho a trilhar.
O templo de Salomão, então o centro da prática religiosa, era dividido em várias partes:
Átrio dos gentios - Acessível tanto a judeus como a gentios (não judeus).
O Recinto Sagrado - Formava uma área sagrada em que nenhum gentio podia pisar, sob pena de morte.
Átrio das mulheres - As mulheres judias não podiam ir além desse átrio.
Átrio de Israel - Exclusivamente para acesso de judeus jovens e adultos do sexo masculino.
Átrio dos sacerdotes - Exclusivamente reservado para os sacerdotes.
Santuário - O Lugar Santo e o Lugar Santíssimo, os quais estavam separados por duas cortinas. No Lugar Santo, os sacerdotes realizavam suas atividades regulares. O Lugar Santíssimo era o coração interior do templo e só o sumo sacerdote podia ali entrar, uma vez por ano, no dia da expiação, quando oferecia um sacrifício pelos pecados do povo.

Esse sacerdócio perdurou por séculos, tendo sua culminância na ação dos sumos sacerdotes Anás e Caifás na condenação do Cristo, chegando aos dias de hoje com atuação circunscrita às sinagogas espalhadas pelo mundo e que serve de modelo para os cultos “cristãos” em que há um plenário com as pessoas a ouvirem um expositor dos preceitos bíblicos, precedido ou acompanhado por momentos de oração e cantoria.
Podemos entender o sacerdócio levítico como o pré-primário da fé, quando se ensinavam as coisas mais elementares da fé, como a unicidade e soberania de Dxus.

“...aqui (no sacerdócio melquisedequeano) ninguém é tratado por ser igual, que ninguém é igual a ninguém. Do pedreiro ao engenheiro, do lixeiro ao empresário, do aluno ao professor, da ovelha ao pastor, do homem à mulher, do rico ao pobre, do preto ao branco, cada um é cada um, com suas idiossincrasias, e, em suas individualidades, cada um é tratado com o devido respeito que merece como ser humano, como filho de Deus e como sacerdote, com a equidade devida...”.