segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O que vale mais...

O que vale mais...

‘Tem algo de podre no reino da Dinamarca’ – Hamlet – Willian Shakespeare
Desculpa os constitucionalistas e democratas. De direita e de esquerda.
Essa constituição brasileira está podre.
Outrossim, o que vale mais: a constituição, ou o país que autoriza e dá sentido à constituição?
O país não serve à constituição. A constituição serve o país.
É facílimo para juízes falarem, do alto de seus vultosos salários, que a constituição tem que ser obedecida, preservada e tal e cousa e lousa e mariposa.
É uma verdadeira veneração que chega às raias da idolatria.
Fato é que entre mim e você que de repente está lendo isso aqui, de acordo com os números frios da estatística, um de nós não tem esgoto tratado em casa.
E as crianças sedentas do nordeste brasileiro? Escárnio, vergonha, ignomínia, acinte, um horror horrendo e horroroso.
Dirão os constitucionalistas: a constituição brasileira é uma das melhores do mundo. Baseado em que se afirma isso?
Dirão ainda: as leis estão lá. Tem que fazer cumprir.
Não. Eles não querem fazer cumprir. Pra eles está bom como está.
Não é que eu não queira uma constituição. Mas tem que mudar essa aí e colocá-la para servir o país, e não contrário.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Acumulativismo

Vou trair a causa e vou dizer: o capitalismo tem lá suas virtudes (???). O sistema econômico baseado na propriedade privada, que produz bens de consumo e os comercializa visando o lucro, tem lá sua razão de ser.
Não há um criador do capitalismo, como há do comunismo com o nefasto Karl Marx.
No entanto, o filósofo Adam Smith, ainda em 1776, conseguiu defini-lo em sua obra A Riqueza das Nações.
Bem, seja lá como for, acho que nenhum dos pensadores imaginava que o capitalismo daria tão certo. Aliás, não era para dar tão certo. Mas deu. E agora temos esse mundão que temos.
Em tempos de tantos ‘trans’ (temos agora até o trans-espécie: pessoas assumindo personalidade de animais), o capitalismo deu tão certo que evoluiu e transmudou-se.
O que temos hoje, no topo do sistema econômico, não é mais capitalismo.
O que há então?
Vou cunhar um termo novo aqui. O que há é o acumulativismo.
A ordem é acumular. Acumular a não mais poder.
Os números referentes aos acumulativistas são tétricos. Estarrecedores. Ignominiosos.
O capitalismo instiga o empreendedorismo, a propriedade privada, o lucro (com o senão de que o lucro, via de regra, vem da exploração da força de trabalho das pessoas), o comércio. Essas coisas, em tese, têm lá suas virtudes. A mim não me agrada, mas isso não quer dizer nada.
O drama fatal da história humana é aquilo em que o capitalismo se transmudou, o acumulativismo. Isso é terrrrrível. Horrível. Horroroso. Horrendo. Asqueroso.
E o Mestre falou tanto contra isso!!!
E o Mestre nos ensinou a aprender com os pardais. Em tempos modernos, insano.
Como lá, cá também Ele seria rechaçado.
Em tempo: caixão não tem gaveta. 

domingo, 2 de dezembro de 2018

Do dia de amanhã


O evangelho está recheado de mensagens contundentes.
Dentre essas várias mensagens, gostaria de destacar uma delas, a de que “não devemos nos ocupar com o dia de amanhã”.
Você conhece alguém que consegue viver essa mensagem?
Se sim, por favor, me apresente, eu gostaria de conhecê-lo.
Já parou pra pensar que tudo na nossa vida aponta para o amanhã?
O ocidental está preso ao futuro, ou seja, ao dia de amanhã. O ocidental não vive o dia de hoje. Ele faz tudo por causa do amanhã.
O corrupto vive em função do amanhã, em roubar e acumular para poder ter dias melhores e dar o mesmo à sua prole, ainda que o preço a pagar seja alguns anos de jaula.
Na mesma carruagem vai o capitalista, e mesmo o socialista. Eles acumulam a não mais poder, para garantir um futuro bom pra si e para os seus.
A ideologia é a mesma. O que difere é que um consegue acumular fraudulentamente, o outro, honestamente, mas a força motriz é a mesma.   
Acho essa dependência do futuro um tanto quanto opressiva.
Parece-me ser mais adequado à existência humana ocupar-se com o dia de hoje.
A felicidade não está tão longe assim, em algum lugar onde se pretende chegar num futuro distante.
O que vale é o hoje. Tenho “o que comer, o que vestir” e onde dormir? Está bom demais. Amanhã a gente vê como fica.   
Em tempo: sou ocidental, e se quiser, pode me xingar de capitalista, ou comunista, fique à vontade. Não é esse o ponto.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Lugar algum

‘Lugar algum’ é onde chegam os amantes da discriminação, e onde eles adoram chafurdarem-se, sob máculas rasteiras e tacanhas.
Aqueles que dividem a sociedade entre ricos e pobres, brancos e negros, homens e mulheres, héteros e homos, bem formados e ignorantes, Morumbi e Paraisópolis, Copacabana e Rocinha, Manhattan e Bronx, primeiro e terceiro mundo, europeu e africano, capitalista e socialista, árabes e judeus, ditadura e democracia, e, por fim, direita e esquerda.
Os sagrados Evangelhos, que contêm as divinas, imprescindíveis e indispensáveis palavras do Rabi de Nazaré, não contemplam NENHUM tipo de discriminação, nem a da classe sacerdotal e levitas (seja lá o que isso signifique), embora eles reivindiquem essa distinção. Palavras que insistem em deixar restritas ao meio religioso, quando já deveriam estar influenciando consistentemente os detentores do poder, se é que se pretende uma sociedade justa, igualitária, aberta, moderna, segura, saudável, educada, solidária, fraterna. Pense na virtude que quiser, ela estará nos Evangelhos.
'Lugar algum' é onde estamos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Do dinheiro


O dinheiro é um bem público, só está em mãos erradas.
Pense comigo: o que dá valor ao dinheiro?
Só há uma resposta: o pobre, isto é, aquele que tem menos dinheiro.
Pense comigo: donde vem a força, por exemplo, da Petrobras? Essa gigante do petróleo que fatura bilhões. Vem do consumo daqueles que têm menos dinheiro, porque se ela fosse depender daqueles que têm muito dinheiro, ela não venderia tanto assim.
O mesmo raciocínio vale para as grandes construtoras. Quem compra seus apartamentos? A classe que tem menos dinheiro. Os que têm muito dinheiro até compram casas caríssimas, mas poucas, em relação aos que têm menos dinheiro.   
Se todos fossem ricos, como eles se diferenciariam? Como se destacariam dos demais?
O que o dinheiro confere? O poder da exclusividade. De se morar onde se quer e distante de quem se quer. De se trabalhar nos melhores lugares, em oposição àqueles lugares degradantes. De se trabalhar o quanto se quer, em oposição àqueles que terão que trabalhar até o seu último dia.
O dinheiro é um bem público, só está em mãos erradas.
Não! Essa não é uma crítica a quem amealhou bastante dinheiro por sua própria capacidade.
A questão é que dá para compartilhar bem mais do que se faz hoje em dia, afinal, o dinheiro é um bem público.

Em tempo: nunca li Karl Marx, o que inclui o seu “O capital”. Nem sei se ele trata disso. Só não quero deixar no ar qualquer associação com quem quer que seja.  

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Três barcos e um urubu

Essa é a história de três barcos.
Um, era desses iates ultra mega blaster super modernos. Heliponto, internet de altíssima velocidade, todo revestido em ouro, 4 andares. Um palácio sobre águas.
O outro era dessas lanchas moderninhas, velozes e que servem para dar um “role” em fins de semana.
O outro. Bem, o outro era um barquinho de pescador, desses bem precários, sem nenhum aparato moderno, com uma rede já cansada de tanto trabalhar.
No meio do feriado prolongado, o iate saiu de rota, certamente o capitão estava na internet, e avançou praia a dentro abalroando o barquinho do pescador, destruindo-o por completo. O marajá de dentro de sua suíte começa a soltar impropérios para o pescador: “Por que você existe? Por que você não morre? Gente mais indigna e idiota. Suma daqui”.
Os jovens que estavam na lancha ficaram olhando, espantados com tamanha tragédia.
O pescador, sem falar nada, nadou até o que sobrara do barquinho e foi tentando juntar as madeiras para ver se conseguiria reconstruir a sua nave.
O urubu? O urubu ficava só olhando.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.  

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Que país é esse?

O país não está dividido. Ele está fracionado. Esmigalhado. Esfacelado.
Parece que há dois países dentro de uma mesma nação.
Não sei bem como o brasileiro ganhou fama de que é pacífico. Só não se foi às vias de fato porque as pessoas não estavam juntas umas das outras.
Mito? Que mito? Só se for um parmito (corruptela da palavra palmito). Quem explica é o próprio.
Nem de longe está começada a reconstrução do país. Só se trocaram as peças, sempre mais do mesmo, para uma nova aposta. A estrutura de poder em que se privilegia uns em detrimento de outros continua a mesma. E não mudará.
Se há um mito aqui, há um deus ali. O que não leva a nada. Mitos e deuses caem, foram feitos para caírem.
O tripudiar sobre o outro, seja quem e de que lado for, só demonstra o quão longínquo se está de se superar a infância democrática. Pueris, isso é o que são.
Por outro lado, a torcida para que esse ou aquele não dê certo, é tão juvenil quanto, e execrável, só para se ter o prazer de apontar o dedo.
Vale mais o orgasmo ideológico da sensação da vitória do que o respeito pela pessoa do outro, seja ele quem for.
Que falta faz uma madre de Calcutá, um mahatma para ensinar preceitos os mais elementares. Sim, porque, ao Mestre já se demonstrou que não querem ouvir.     
É de lascar.