quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Uma releitura de Rm 13

A corrupção é uma violência tão repugnante e abjeta quanto a violência urbana praticada por bandidos e traficantes, seres execráveis que devem ser eliminados da convivência social sob a força da lei, para o que o poder policial existe.
Não! Não se enfrenta corrupção e violência com educação.
Já lhe ocorreu que os corrutos são todos eles, via de regra, muito bem formados: advogados, engenheiros, doutores, administradores? Que muitos deles falam mais de um idioma com fluência e têm a exata noção do que estão fazendo quando estão metendo a mão na coisa pública? Já lhe ocorreu, ainda, que a imensa maioria é gente branca e do sexo masculino? Pois é.
Educação é um pilar da nação totalmente imprescindível para formar os seus cidadãos. Ponto.
Contudo, corrupção e violência se combate com a força da lei. Tem que chegar chegando, descendo o porrete e prendendo inapelavelmente, inclusive contra os entes da própria corporação como está ocorrendo no Rio de Janeiro.
Meu apreço pelos EUA é mínimo, contudo, se há algo que me chame a atenção naquele país é a rapidez da justiça e a prática da tolerância (próxima de) zero. A polícia e a justiça chegam chegando.
Poderíamos pensar no maravilhoso caso da Índia quando Gandhi libertou o país sem pegar em armas.
Acontece que a história brasileira não tem paralelo com nenhuma outra. O país aqui está refém de si mesmo, seja em relação à violência urbana, seja em relação à violência do colarinho branco. Então, tem que chegar chegando, como estão chegando Moro e Bretas.
Uma coisa está clara: os que detém o poder são reticentes quanto à justiça porque terão que aplicá-la contra si mesmos, contra seus pares ou prole. Esse é um gargalo que está sendo difícil superar e com o qual o país terá que lidar. Se deixar por conta deles, eles não resolverão a questão. Isso está claro também. O corporativismo e a impunidade estão matando essa nação.
Uma liderança poderia ajudar esse país. Como ela não existe, o povo está por sua conta e risco. Uma democracia com tamanha violência, inclusive com a violência da absurda desigualdade social, não é uma democracia. Não se engane: esse país não está vivendo uma democracia.
Já lhe ocorreu que o grande empresariado, incluindo o bancário, associou-se aos políticos, de esquerda ou de direita, contra o povo? Pois é.

Algo tem que acontecer, a começar com a polícia e a justiça chegarem chegando.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Um Zé, recolhido à insignificância da própria existência

Não sigo nenhuma linha, nenhuma bandeira me define, não sou tão grande pra isso.
Nenhuma doutrina me dirige, nenhum personagem me atrai, não sou tão inteligente pra isso.
Nenhuma organização me representa, não represento nenhuma organização, não sou tão importante pra isso.
Nenhum sistema me domina, nenhum conjunto de regras me controla, não sou tão relevante assim.
O que faço ou deixo de fazer é em consideração aos mais fracos, tão fracos quanto eu, ou menos... ou mais...
Eu me represento a mim mesmo, ninguém fala em meu nome, não tenho representantes, não sou tão poderoso assim.
O que falo ou deixo de falar é porque sei, ou não sei, e sei bem menos do que sei, isto é, quase nada, só o suficiente para saber o indispensável sobre o Indispensável.
Tenho amores, por incrível que possa parecer, amo dois homens (?), tenho mulheres, uma que já se foi, duas que saíram de mim, e uma que é duas, ou até mais, três, quatro, mas uma só.
Enfim, um andarilho, o Ornitorrinco Madiba, totalmente decepcionado com esse mundo que de mim não merece nada, senão que, o melhor de mim, para tentar resgatar aqueles que se deixaram enredar, se é que posso... acho que não, que isso é coisa pra gente importante e sabida. 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A arte imita a vida ou a vida imita a arte?

De tudo o que foi e está sendo dito a respeito do horroroso ocorrido no MAM com o homem nu sendo tocado por uma menina, acho que falta dizer que isso certamente é a expressão do que ocorre no secreto de algumas famílias. Vai saber o que ocorre ali? Humm...
Aquilo não seria novidade, nem estão querendo inaugurar uma nova era na relação adulto x criança. Isso parece já ser realidade recorrente, caso contrário eles não iriam se expor a esse bombardeio que estão levando.
Isto é, se a arte imita a vida, eles somente estão tornando público o que já vivem na intimidade.
Por outro lado, se a vida imita a arte, aí essa gente está mais perdida ainda porque estariam levando ao extremo o que alguns tresloucados entendem como arte, como esse cantor baiano ateu.
A considerar o baixo nível ético/moral reinante na sociedade, tudo está muito coerentemente estabelecido e nos conformes.
Como mudar isso? A partir da educação de filhos com outros princípios que não esses.
Éramos dois: eu e minha esposa. Pusemos quatro filhos no mundo. E tenho pra mim, com toda a convicção, que eles darão sequência ao que iniciamos há 37 anos.
Quantos mais se juntarem a nós, mais cedo mudaremos a história dessa nação.     

domingo, 8 de outubro de 2017

Enfiando um prego na tomada

Imagine a vida como uma grande represa de geração de energia. Energia elétrica, tão vital à existência. Vital e imprescindível.
Alguém há que consiga imaginar a vida sem energia elétrica? Acho que não.
Desde a mais ínfima até a mais relevante aplicação a energia elétrica está presente na totalidade das atividades humanas.
Precisou, ela está ali, prontinha, disponível em todo tempo, incansável, inesgotável – pois que é uma energia renovável - dócil e potente, capaz de carregar o mais minúsculo motor até o mais potente gerador. Breve, 100% dos veículos serão movidos à energia elétrica.
Assim, dá pra fazer um paralelo, uma associação com a sublimidade da vida.
Contudo, há regras. No uso da energia elétrica há regras. Elementares e altamente sofisticadas. E elas não podem ser quebradas, sob o custo, no caso extremo, da vida.
E o que se vê por aí?
Pessoas quebrando essas regras. Todos sabem que não se pode enfiar um prego na tomada, com o risco de um choque, muitas vezes, até vital. Mas pessoas há que insistem em colocar um prego na tomada da vida. Aí, amigo, não há o que fazer.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Na real: xx ou xy

Eu, recolhido na insignificância da minha existência, tenho pra mim que não é a sociedade, a família, o gosto, a cultura, sequer o órgão genital que determina se alguém é homem ou mulher.
Me parece que a coisa vem antes.
O que determina se alguém é homem ou mulher, ou seja, masculino ou feminino, é o cromossomo sexual, isto é, cromossomo sexual XX é mulher, cromossomo sexual XY é homem.
Quem determina isso é o espermatozoide quando fecunda o óvulo, portanto, antes mesmo de o embrião ter órgãos genitais (masculino ou feminino).
Definitivamente, isso não dá para mudar. Não há biotecnologia capaz de alterar o cromossomo.
Então, homem é homem, e mulher é mulher.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Um crist...

Não me acho, absolutamente, melhor do que ninguém. Não mesmo. Quem sou eu? Os que convivem de perto comigo talvez possam confirmar.
Assim, digo: na contemporânea acepção da palavra, não sou um “cristão”. Se ser cristão é o que se vê por aí, por eliminação, eu não sou cristão. Sem juízo de valor. Cada um é o que quer ser. Na boa. Não tenho a menor dificuldade de lidar e conviver com cristãos, pelo contrário, sinto-me honrado por vários deles aceitarem conviver comigo. Há uns até que admiro bem.
Direi abaixo o que eu sou.
Mas... com todo respeito: egolatria, narcisismo, exacerbação da vaidade pessoal, auto-amor, autoestima, egoísmo, egocentrismo, brilho vazio, discriminação, julgamentos, comparações, acusações, acepções, assepsia, afetações, clericalismo, sacerdotismo humano... coisas que já deveriam ter sido superadas.
Há ainda as regras, normas, leis, costumes, tradições, sistematizações doutrinárias, exegeses e afins. Coisas que têm valor em si, não um valor transcendental, mas têm um valor, parco e exíguo, bem verdade. Só não podem sobreporem-se à substância da fé.

No andar da carruagem, na lida da vida, no vai e vem do trem descobri o que sou: um cristinho.

domingo, 1 de outubro de 2017

O que vem por aí?

Tenho pra mim que, mais ano menos ano, a democracia, como a conhecemos hoje, vai acabar. Ela já se provou ineficaz na distribuição do bolo. Veja: 6 brasileiros têm a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país. Essa discrepância vai acabar, de um jeito ou de outro.
A queda da democracia trará a reboque a queda do capitalismo como o conhecemos hoje.
Não será uma ditadura que irá substituir a democracia. Fique tranquilo. As ditaduras também acabarão.
O que organizará, então, a sociedade? Difícil prever, mas é fato que a tecnocracia (o poder da tecnologia) estará em plena atuação, e pode ser que ela organize a sociedade.
Na área da saúde, a biotecnologia avançará absurdamente. Hoje já é possível corrigir o DNA de um embrião para evitar doenças hereditárias.
Na economia tudo estará ligado. Quem mora em São Paulo, por exemplo, já tem seu consumo todo escrutinado.
Na segurança, cada passo de cada cidadão do bem ou do mal será vigiado.
A educação será toda ela via internet.
Mesmo na religião, a presença da tecnologia se fará presente, com o prejuízo do esfriamento das pessoas.
As relações sociais serão estabelecidas e mantidas pelas redes sociais, com o prejuízo pela superficialidade das relações.
Isso tudo está mais ou menos previsto e em andamento em maior ou menor grau.
De tudo, resta a certeza de que sempre haverá um remanescente fiel a Deus e à sua palavra. Esses que não se deixam levar pela materialidade das coisas, pelo glamour dos títulos, pelo engano das riquezas, pelo engodo de líderes inescrupulosos, pela falsa doutrina de que Deus habita em templos feitos por mãos humanas, pelas experiências sensoriais embaladas por ritmos musicais, pela superficialidade das relações, pela “ética” da barganha, pela retórica vazia dos discursos da auto ajuda, pela “moral” dos sacrifícios pessoais em busca de conquistas imediatas, pela ditadura hedonista da felicidade a qualquer preço como propósito único da vida.
Sempre haverá um remanescente.