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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O Eterno

O Eterno, ah! o Eterno.
Só é eterno, o que é eterno.
Nada que não seja eterno, é eterno.
Anseio primeiro e último da alma humana,
Pelo que se lança em busca insana,
Acumulando, guardando, se refugiando, se preservando.
Quando o Eterno, oras! é Ele mesmo porta, caminho e destino. Princípio, meio e fim.
O Eterno, inabalável, imarcescível, intangível, inalcançável,
Sem deixar de ser eterno transmuta-se em temporal e espacial, pois que tempo e espaço não afetam sua eternidade.
Dessa transmutação depende a eternidade humana, ainda, uma probabilidade.
O convite, o chamamento, a atração foi iniciada séculos atrás,
Quando aquele que também é porta e caminho, menos destino, deu seu último suspiro para retomá-lo três dias depois, tendo sujeitadas a si todas as coisas menos Aquele que lhe sujeitou todas as coisas, o Eterno, o destino de todos.

“Devorada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Teologia de Calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano - Parte 4/4

Parte 4/4

Sacerdócio Melquisedequeano

Diz o livro santo, em inefável inspiração, que o Cristo é O Sumo Sacerdote, aquele que intercede pelos seus. Que ele é o sacerdote e o sacrifício, tendo oferecido um único e suficiente sacrifício. Ele sim está entre Deus e os homens, só ele e mais ninguém, na condição exclusiva de mediador.
Ele é o modelo. Ele é o padrão. Ele liberta da matéria. Já não se precisa mais de arca da aliança, de shofar, candelabro de 7 velas, de estolas sacerdotais, de vestuários próprios, de templos físicos, de elementos transubstanciáveis, de dinheiro, de rituais, de relíquias, de liturgias pretensamente abridoras do acesso ao alto, de objetos de qualquer natureza ou de mediador humano.
Por que Melquisedequeano?
A referência é a Melquisedeque, um rei sacerdote sem genealogia, sem começo nem fim de dia e que em um encontro com Abraão trouxe pão e vinho, mesmos elementos usados pelo Cristo na última ceia.
É sabido que Jesus era judeu, e judeu da tribo de Judá, assim como Davi, seu ancestral. Como judeu da tribo de Judá ele não poderia ser sacerdote, conforme exposto acima que somente os pertencentes à tribo de Levi poderiam ser sacerdotes.
Mas a bíblia afirma que Jesus era sacerdote.
O livro harmoniza a situação esclarecendo que Ele era sacerdote não segundo a ordem levítica, mas segundo a ordem de Melquisedeque, uma ordem superior a dos levitas, pois diz o livro santo que os levitas, na pessoa de Abraão, deram ofertas a Melquisedeque e foram abençoados por este, logo, se “o maior abençoa o menor”, aqui temos o sacerdócio levítico sendo abençoado pelo sacerdócio melquisedequeano, demonstrando que lhe é superior.
É espetacular, mas não surpreendente que Jesus seja sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
Diz o livro santo que Jesus elevou seus seguidores à condição de reis e sacerdotes, ou seja, segundo o livro em outro trecho, um sacerdócio real, condição que o sacerdócio nos modelos apresentados anteriormente não foi capaz, tanto não foi capaz que o rei Saul atuou como sacerdote e perdeu o reinado por isso.
Atenção: o termo “rei” aqui não referencia o conceito musical/ideológico/filosófico da versão gospel do termo. O missivista já renegou o movimento, pois que, dentre outros, o movimento reivindica inapelavelmente posicionar-se sempre como “cabeça” jamais como “cauda” numa exegese tendenciosa de determinado trecho da escritura.
Aqui já não há uma casta, uma elite, um grupo de pessoas que seriam representantes de Dxus, de autoridades que se postam sobre os demais como que os comandando e dominando, as chamadas “coberturas”.
O eco reverbera bem alto desde antanho aos dias dessa graça, repercutindo que “entre vós não será assim”.
Como Melquisedeque, que não teve nem princípio nem fim de dias, como o vento que sopra onde quer, assim esses sacerdotes estão à mercê do comando do Espírito Santo, fazendo o que bem Lhe aprouver, cujo trabalho não está mais circunscrito a lugares, títulos, ascendências, objetos, músicas, dinheiro. Aqui os sacerdotes são adoradores 24 horas por dia, não no templo, não quando cantando, não quando ministrando, mas no trabalho, no descanso, na intimidade do leito sagrado e do lar. Um ambiente em que ninguém é mestre, ninguém é pai (exceção óbvia feita à progenitura), ninguém é guia, pois que o Cristo proibiu que se tratasse o outro assim, conforme Mateus.
Nesse sacerdócio o emocional não prevalece sobre o racional, nem vice-versa. Esses sacerdotes são treinados para aplicarem um e outro no seu tempo adequado, como adequado é o conceito quem têm de si, nem com a auto-estima exacerbada, nem como vítimas de falsa modéstia, nem como triunfalistas, nem como usuários da autocomiseração. Sem clichês, sem discurso e vocabulário formatados, sem resposta pronta pra tudo, sem apontar de dedos.
E quanto ao discipulamento, o que há, então? Como ele ocorre?
Há compartilhamento, muito compartilhamento. De irmãos mais velhos, já talhados, muitas vezes na bigorna, já experimentados, muitas vezes na crise, já escaldados, muitas vezes no isolamento, já provados e aprovados, muitas vezes no estreito. Contudo, compartilhamento invariavelmente sob uma relação no nível horizontal, sem ascendência, sem preferências, sem prerrogativas especiais, sem destaque, sem poderes humanos autoritários/despóticos/pernósticos.
O sacerdócio melquisedequeano é a quintessência da relação humana, pois que extrapola, transcende as relações terrenas, elevando-as a um nível superior. Aqui não há lugar para a cultura patriarcal do machismo, tampouco para a cultura revanchista do feminismo. Aqui não há lugar para disputas por posições, por domínio, por vantagens.
Nesse sacerdócio as barreiras caem, todas elas. Ninguém é considerado pelo poder financeiro ou intelectual, pela cor dos olhos ou da pele, pelo cabelo liso ou crespo, pela silhueta esguia ou não, pelo peso ou pela altura, pelo IPTU ou pelo IPVA que paga.
Grandeza das grandezas, aqui ninguém é tratado como igual, que ninguém é igual a ninguém. Do pedreiro ao engenheiro, do lixeiro ao empresário, do aluno ao professor, da ovelha ao pastor, do homem à mulher, do rico ao pobre, do preto ao branco, cada um é cada um, com suas idiossincrasias, e, em suas individualidades, cada um é tratado com o devido respeito que merece como ser humano, como filho de Deus e como sacerdote, com a equidade devida e com a possibilidade de ação, ministração, compartilhamento e ensino aberta a todos num ambiente sem distinções, sem disputas, sem comparações.    
O sacerdócio melquisedequeano é o cumprimento da cruz, a conclusão da obra de Deus. Por esse sacerdócio o mundo pode ser resgatado, pois que o Cristo brilha, o Cristo fala, o Cristo cura, o Cristo salva, o Cristo media, o Cristo É, como o Pai É, como o Espírito Santo É.
“O brilho desse mundo se apaga ante ti, a glória dessa terra nada é”.   
O sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque rasgou o véu. Véu que separava as pessoas da presença santa. Véu que é a sua carne (há um mistério aqui). Sim, quando ele teve o seu corpo rasgado pela lança do soldado, o véu do templo se rasgou sem ação humana. 
Como o véu se rasgou, o sacerdócio levítico, bem como os seus sucedâneos findaram, pois eram tão somente sombras da realidade, e o homem pode agora entrar o impenetrável e falar diretamente com o Magnânimo, sem a necessidade da intervenção e mediação humanas.
O sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque fala com o homem, em sua inteireza, em sua completude, em sua condição, seja ela qual for. Ele o alcança na alma, no espírito e no corpo, ou seja, esse sacerdote não deixa o homem passando fome nem sede, de nenhum tipo, ainda que ele esteja doente, preso, nu ou seja forasteiro (ou imigrante), conforme Mateus.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Teologia de calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano - Parte 3/4

Parte 3/4

Sacerdócio Evangélico

O termo “evangélico” aqui se refere à parte advinda do protestantismo, não referenciando o evangelho propriamente dito.

Se o evangelicalismo é filho do catolicismo, pois nasceu dele, e se o catolicismo é herdeiro do judaísmo, logo, o evangelicalismo é herdeiro do judaísmo. Triste, mas assim é.
Desse modo, percebe-se os mesmos elementos fundamentais do sacerdócio levítico nas três modalidades: a hierarquia piramidal, a distinção entre clero e leigos e a valorização do templo físico. Se no sacerdócio levítico esses elementos eram explícitos, no sacerdócio evangélico eles são tácitos, embora determinantes e indispensáveis para seu funcionamento.
O sacerdócio evangélico, em nome dessa herança, empenha-se em resgatar até mesmo símbolos e práticas eminentemente judaicas, como a presença em seus cultos regulares de cópias da arca da aliança, shofar, candelabro, bandeira de Israel com a estrela de Davi dentre outros elementos judaicos.
Aqui, como nos demais modelos, a autoridade dos ministros é deveras e exacerbadamente valorizada, chegando ao requinte de estender-se às suas expressões mais elementares em que até líderes de grupos familiares são entendidos como coberturas espirituais, sendo que essa cobertura é uma excrescência instalada no meio que diz que os líderes são superiores aos seus liderados, postando-se entre Dxus e eles, assumindo assim a função de mediador. Se isso se verifica nos grupos familiares, de forma tão e mais intensa, e perniciosa, se verifica nas instâncias superiores. Eu sei do que estou falando.
Como no levítico e no católico, aqui também o ministro é/seria o representante de Dxus e está/estaria autorizado a comandar a vida dos discípulos, sendo absolutamente proibido questionar essas figuras, cuja respectiva obediência é compulsória. Esse sacerdócio explora alguns trechos isolados da bíblia para ensinar que as “autoridades, ou, os ungidos” não podem ser “tocados”. Outra excrescência.
Respeito é bom e todo mundo gosta, desde que a todos indistintamente.
Essa marcante característica presente nos modelos católico e evangélico da ampliação do conceito da autoridade pessoal, como se isso fosse possível, é muito peculiar, mas estranha ao evangelho.  
Oras! Autoridade não é uma coisa que “se é”, mas algo que “se tem” por um determinado período e para uma determinada causa. É um comissionamento no tempo e no espaço, não um estado de espírito, um estado de “ser”. Contudo, nesses sacerdócios distorceu-se o conceito e a autoridade foi transferida para a pessoa, impregnando-a com uma condição da qual ela não tem direito de apropriar-se, embora “adore” ser tratada como tal.
Essa característica traz a reboque algo que já deveria ter sido superado, mas que, paradoxalmente, foi recrudescido, qual seja, a super valorização dos títulos com o decorrente culto à personalidade, pelos quais cria distinções, todas, de novo, estranhas ao evangelho.
É flagrante a influência de outros modelos aqui como o militar e o empresarial. A coisa toda funciona como uma empresa, como um quartel, com CNPJ, estatuto, regimentos, diretorias, clientela (membresia), controles e o que mais convier aos controladores. Algumas delas, pertinentes em relação à sociedade, mas sem qualquer valor espiritual.
Há contrapontos, vários. Por exemplo, não é raro ver ministros esgotados pelo trabalho que se apresenta de forma extenuante uma vez que a demanda é grande, sempre, em que, via de regra, esses ministros se percebem isolados, em alguns casos, até abandonados, sob o argumento de que o ministério deve ser fruto de sacrifícios, o que vale para segundos e terceiros escalões, jamais para os da primeira classe, comumente muito bem estabelecidos.
Outro fator fortemente presente nos três modelos de sacerdócio, com ênfase aos dois últimos, é a questão do dinheiro.
Tudo gira em torno do dinheiro, exatamente aquele que o Cristo acusou de mau.
As promessas, as bênçãos, a prosperidade, o sucesso, as conquistas, os livramentos, as vitórias, os milagres, tudo está atrelado ao dinheiro. O fiel tem que entrar com essa parte, sob pena de não ser devidamente abençoado. Em nome dessa troca proposta por esses sacerdotes se tem praticado as mais infames barganhas, o que acaba por produzir um efeito colateral deveras indesejável, ou seja, a resistência do outro público à mensagem da qual eles se dizem portadores, dada a exploração da boa vontade daqueles que são manipuláveis com coisas dessa terra, como riqueza, prosperidade e cura de enfermidades, quando, especialmente essa última, deveria ser tratada de uma forma a mais sensível e digna, pois que todos são susceptíveis a precisarem dela. A cura não deveria ser tratada como um balcão de negócios.    
Uma característica muito peculiar desse sacerdócio é a ultra-valorização da adoração através da música, que toma parte considerável nos cultos e em que seus ministros chegam a ser tratados como “levitas” numa clara e indevida referência ao ministro do culto levítico. Alguns desses ministros são alçados à condição de astros com direito a fãs.
O meio produz algumas peças totalmente antagônicas ao evangelho como quando em “espírito de adoração” ministros e seguidores cantam que querem “abençoar o coração de Dxus”.  Chocante, mas é isso mesmo, demonstrando o quanto o homem é elevado e Dxus rebaixado nesses ambientes.   
Digo de nota é o quanto o poder sensorial da música é explorado aqui. Seja pelos ritmos alegres, seja pelos melodiosos, produz-se uma associação desses ritmos com a adoração, quando na verdade o que está presente é a manipulação das sensações, coisa que astros musicais, especialmente do meio secular, sabem fazer com excelência.
Nota 1: Há uma escusa para o sacerdócio levítico. Porque, embora tudo ali, como todo o Antigo Testamento, aponte para Jesus, desde t o d o s os episódios, passando por t o d o s os personagens, que sem a perspectiva em Jesus ficam sem o sentido transcendental, sendo tão somente histórias e pessoas interessantes, como várias outras do mundo antigo, sim, a escusa se dá porque não conheceram o Cristo e não o ouviram, embora sentissem que algo muito grande e superior em todos os aspectos estivesse por vir. Escusa que não se pode aplicar aos sacerdócios sucedâneos, pois esses ouviram o Cristo.
Nota 2: É IMPRESSIONANTE o reducionismo a que é submetido o Cristo. Um estudante de religiões que não conhecesse a bíblia, mas tão somente a prática daqueles que se dizem seguidores da fé bíblica, certamente colocaria Jesus entre o panteão dos deuses, como mais um importante personagem, rodeado por alguns profetas, reis e apóstolos.
Embora esses que se dizem seguidores da fé bíblica tratem Jesus como Senhor, como estabelece a bíblia, na prática, eles não agem como tal, não lhe dando a primazia absoluta, cujas palavras proferidas por Sua boca são mais umas dentre tantas outras, consideradas por eles tão grandes quanto ou mais, basta ver, para isso, em que os pregadores baseiam suas prédicas.
Oras! As palavras do Cristo são imensurável e incomparavelmente superiores a quaisquer outras palavras proferidas e escritas por quem quer que seja. Atenção: Paulo inclusive.
Nota 3: Com destaque para o sacerdócio evangélico, alimenta-se e promove-se verdadeira guerra intelectualóide em que se defende a ferro e fogo algumas linhas doutrinárias teológicas que, dada a beligerância do confronto entre as partes, não têm nada a ver com o evangelho.      
Nota 4: Desde tempos antigos, quando as pessoas disseram para Moisés que elas não queriam ouvir Dxus, que era para ele ouvir Dxus e dizer para elas o que ele havia dito, criou-se uma distorção aí. No mesmo sentido, as pessoas envolvidas com a revelação, olharam para os povos vizinhos e viram que eles tinham reis dominando sobre o povo, então disseram para Samuel que eles também queriam ter um rei, renegando o reinado de Dxus. Desde então instalou-se no meio a figura do mediador, cuja mediação só pode/poderia ser exercida pelo Cristo, o sumo sacerdote. Fato é que os que são colocados nessa posição de mediação “adoram” essa condição e agarram-se a ela qual âncora de navio em mar bravio.  

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Teologia de Calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano - parte 2/4

Obs.: Aqui não vai nenhum tipo de crítica ao catolicismo, tão somente a narrativa está contextualizada à reflexão. Tenho grandes amigos que seguem o catolicismo, por quem nutro o maior respeito, até porque considero os amigos mais do que considero religião.
O próprio Francisco, o contemporâneo, tem minha admiração, pois que tem coragem de falar coisas que muitos pastores não têm, assim como o outro Francisco, o histórico, foi um grande formador de quem sou hoje. Assim, não tenho crise existencial em relação ao catolicismo. 

Parte 2/4
Sacerdócio Católico
O sacerdócio católico sucedeu o sacerdócio levítico, suprimindo algumas coisas, por exemplo, o sacrifício de animais, e instaurando outras, por exemplo, o incompreensível sacrifício da missa, bem como a Tradição Católica, equiparada por eles à bíblia em importância. Outras características marcantes foram: a) a introdução do celibato, prática deveras questionável, sobretudo quando se avalia a gravidade da pedofilia envolvendo o clero católico, que seria motivada pelo não acesso desses à vida conjugal; b) exploração do valor do relicário, dando-lhe poderes quase divinos; c) dogmas estranhos à bíblia como verdades de fé.
Quanto à estrutura eclesiástica, herdou o modelo levítico e o potencializou. De abrangência mundial o papa, o então representante de Dxus, comanda hordas de discípulos através de uma bem montada e articulada hierarquia piramidal em que os sacerdotes são os ministros e eles trazem/trariam a vontade e os mandamentos de Dxus para o povo.
Não é exclusivista no sentido tribal (levítico) pois que gentios também podem acender ao ministério, mas é generalista no sentido de que somente pessoas do gênero masculino (como no levítico) podem exercer o sacerdócio. É fechado na obediência ao papa e, por assim dizer, à herança histórico milenar da estrutura pesadamente hierárquica, cuja hierarquia é campo fertilíssimo para todo tipo de desmando e desvio, como a história fartamente registra.
Como aquele (levítico) esse também é baseado no comando, no controle, na obediência, na exacerbação da importância da figura do sacerdote, fator deveras estranho à mensagem evangélica, e, como aquele, centrado no templo físico, cujo conceito foi capilarizado, pois se lá havia um templo, aqui são vários os santuários espalhados pelo mundo todo, e copiando o modelo levítico, esse também tem a sua liturgia e práticas religiosas girando em torno de templo, onde Dxus se faria presente e se faria ouvir.  

“Nesse sacerdócio (melquisedequeano) as barreiras caem, todas elas. Ninguém é considerado pelo poder financeiro ou intelectual, pela cor dos olhos ou da pele, pelo cabelo liso ou crespo, pelo peso ou pela altura, pelo endereço ou pelo IPVA que paga.”

A herança é tão flagrante que somente o clero pode oficiar os trabalhos litúrgicos, sendo relegado aos participantes da plebe somente alguns poucos serviços e ministrações.

Aqui, como lá, a distinção entre clero e laicato é patente e salta aos olhos pela incompatibilidade com a mensagem do evangelho. 

sábado, 30 de dezembro de 2017

Teologia de calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano Parte 1/4

Teologia de calçada: Sacerdócio Levítico x Sacerdócio Melquisedequeano

Uma busca

Entre vós não será assim

Introdução
Em 2018 completar-se-á 42 anos que estou perseguindo o Senhor, como a corça procura pela água. 42 anos de busca, de procura.
“’Procurar’ é preciso. Viver não é preciso”.
Desde muito cedo, procuro a sublimação da existência humana que se dará/daria, imagino, quando as pessoas puderem/pudessem se relacionar com Deus sem a necessidade da mediação humana, pertinente esta, adequada e necessária, sim, quando se está tratando com neófitos. Depois dessa fase de iniciação à fé, a relação entre pessoas maduras, imprescindível à existência humana, deve dar-se na base da fraternidade, em que tão somente há uns irmãos mais velhos e experientes que outros, mas sem qualquer tipo de ascendência, tão contrária, esta, à mensagem evangélica.
Busquei essa sublimação, a princípio e meio sem saber o que estava fazendo, no catolicismo, em intensidade absurda, período precioso e que me marcou de forma indelével, produzindo a pessoa que sou hoje e a cujo tempo serei eternamente grato a Deus.
Após essa experiência fui para o protestantismo, para onde me dirigi pensando que, por fim, chegaria ao lugar/condição que procurava. Ledo engano.
Nessa procura encontrei, dentre tantas coisas, um confronto, que chamaria de confronto de titãs: De um lado o sacerdócio levítico, com seus sucedâneos, de outro o sacerdócio melquisedequeano.

Parte 1/4
Sacerdócio Levítico
O sacerdócio levítico surgiu há milhares de anos, ainda na época de Moisés, quando instituiu que Levi, um dos filhos de Jacó, exerceria esse ofício.
O exercício desse ofício era extremamente exclusivista, cabendo somente a Levi, e a seus descendentes, a prática sacerdotal na condição de representantes de Dxus, que consistia de atender às demandas dos serviços religiosos primeiramente no tabernáculo e depois no templo, para onde os fiéis se dirigiam para oferecerem, através desses ministros, seus sacrifícios a um Dxus, embora verdadeiro, desconhecido por eles.

“O sacerdócio melquisedequeano é a quintessência da relação humana, pois que extrapola, transcende as relações terrenas, elevando-as a um nível superior.”

Esse ofício era praticado por 3 classes de operadores: o sumo sacerdote, o sacerdote e o levita. Eles detinham a exclusividade no serviço do templo para o que a hierarquia estabelecida era rigorosamente obedecida sem conflito de autoridade e da práxis litúrgica e ritualística, ambas muito ricas em seus detalhes e preceitos e normas e regras, necessárias quando se é novo na fé, sim porque pessoas com distorções de caráter e personalidade não podem ficar à mercê de seu bel prazer. Elas não conseguiriam mudar. Bem por isso, elas precisam de regras e um acompanhamento muito próximo por parte daqueles que são mais antigos. Essa didática valia lá e ainda hoje se faz necessária, enfatizando, contudo, que é aplicável a neófitos tão somente, uma vez que uma pessoa depois de amadurecida e tratada já não carece mais de tutores a lhe indicarem o caminho a trilhar.
O templo de Salomão, então o centro da prática religiosa, era dividido em várias partes:
Átrio dos gentios - Acessível tanto a judeus como a gentios (não judeus).
O Recinto Sagrado - Formava uma área sagrada em que nenhum gentio podia pisar, sob pena de morte.
Átrio das mulheres - As mulheres judias não podiam ir além desse átrio.
Átrio de Israel - Exclusivamente para acesso de judeus jovens e adultos do sexo masculino.
Átrio dos sacerdotes - Exclusivamente reservado para os sacerdotes.
Santuário - O Lugar Santo e o Lugar Santíssimo, os quais estavam separados por duas cortinas. No Lugar Santo, os sacerdotes realizavam suas atividades regulares. O Lugar Santíssimo era o coração interior do templo e só o sumo sacerdote podia ali entrar, uma vez por ano, no dia da expiação, quando oferecia um sacrifício pelos pecados do povo.

Esse sacerdócio perdurou por séculos, tendo sua culminância na ação dos sumos sacerdotes Anás e Caifás na condenação do Cristo, chegando aos dias de hoje com atuação circunscrita às sinagogas espalhadas pelo mundo e que serve de modelo para os cultos “cristãos” em que há um plenário com as pessoas a ouvirem um expositor dos preceitos bíblicos, precedido ou acompanhado por momentos de oração e cantoria.
Podemos entender o sacerdócio levítico como o pré-primário da fé, quando se ensinavam as coisas mais elementares da fé, como a unicidade e soberania de Dxus.

“...aqui (no sacerdócio melquisedequeano) ninguém é tratado por ser igual, que ninguém é igual a ninguém. Do pedreiro ao engenheiro, do lixeiro ao empresário, do aluno ao professor, da ovelha ao pastor, do homem à mulher, do rico ao pobre, do preto ao branco, cada um é cada um, com suas idiossincrasias, e, em suas individualidades, cada um é tratado com o devido respeito que merece como ser humano, como filho de Deus e como sacerdote, com a equidade devida...”.

sábado, 22 de dezembro de 2012

A morte do Zé da Gaita


Pois é... morreu o Zé.
Foi em um acidente de carro em que estava acompanhado de sua esposa.
Os dois foram embora.
Triste!
Na fila para entrar no céu, o Zé avista o Tião Pistola, aquele moço com quem não conseguiu se acertar aqui embaixo.
Ele se vira para a Mariinha e diz: “Se ele entrar, eu não entro. Não vou ficar no mesmo lugar que ele”.
“Ah tá!” exclama a Maria, “Toma tenência homem, se você não entrar aí, você vai pra onde?”.

Baseado em Mateus

domingo, 3 de outubro de 2010

Mt 24:12 – Uma releitura

O fim do mundo será precedido pela incapacidade das pessoas em indignarem-se.
Choca percebermos o quanto já não nos indignamos. Quando muito nos indignamos até a página 2.
Ou então manifestamos essa indignação em alguns posts, alguns e-mails, alguns comentários em alguns sites, ou no trabalho na hora do café, ou na igreja no fim do culto, ou ao telefone.
A fome já não choca.
A falta de saneamento já não choca.
A alfabetização funcional (quando só se sabe ler e escrever o nome) já não choca.
A deterioração da saúde pública já não choca.
A violência contra as mulheres já não choca.
A dependência química já não choca.
A prostituição infantil e adulta já não choca.
A corrupção já não choca.
A falta de engajamento da “igreja” já não choca.
A superficialidade/materialidade das pregações já não choca.
A riqueza no meio da “igreja” já não choca.
O incomum tornou-se comum. O anormal, normal. A aberração transformou-se em costume. O trágico em cômico.
Já não somos mais alcançados pela deterioração das relações humanas.
Parece que estamos acima dessas coisas, ou que elas não nos dizem respeito.
É... Pilatos fez escola.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pão e Vinho

Incrível!!!
Como pode? Deus, o portentoso, o imarcescível, inalcançável, inatingível, supra/super/sobrenatural reduzir-se a dois elementos físicos!
Pão e Vinho. Encontro do pó e da água, pois um veio de lá, o outro de cá.
Pão, nascido do trigo, gerado do pó.
Vinho, extrato da uva, água - com cor, cheiro e sabor - embalada.
Pó e água. Elementos fundamentais da criação.
Pão e Vinho, recipientes do Divino.
Pão e Vinho não é símbolo. Fosse, o Mestre teria dito.
Pão e Vinho é realidade. Realidade supra/super/sobrenatural, que transcende os limites do mundo físico.
Pão e Vinho é véu, é preciso ver através dele.
Se o Filho é do céu, o Pão e o Vinho são da terra.
O Filho, que não usurpou a condição divina, pois era de fato Deus, quis montar morada em elementos naturais.
Pão e Vinho, carne e sangue.
Pão e Vinho, vida divina estanque.
Pão como carne, Vinho como sangue, escândalo para os fariseus.
Carne no pão, sangue no Vinho, Deus nos filhos seus.
Quem absorve sem discernir, condena-se pois ignora, ignora o que há ali.
Quem ritualiza, empobrece a realidade (se possível fosse).
Quem “cerimonializa”, adoece de dura enfermidade.
Quem desvaloriza, distancia-se da Divindade.
Pão e Vinho, morada do Divino.

sábado, 15 de maio de 2010

Do véu

Ah! Há um véu.
Sim! Houve um véu. Você ouve? Então ouça: houve um véu. Há um véu.
Tudo converge para ele e nele: os tempos (passado e futuro), as eras (novas e velhas), as gentes (inclusive os crentes), o cosmo (macro e micro), enfim, o universo.
Aquela carne suada, enlameada, cuspida, ensanguentada, empoeirada, malcheirosa, depauperada, difamada, acusada, abandonada, fragilizada, desprezada, presa ao madeiro... é um véu.
Limite extremo do desconhecido, acesso possível ao conhecimento antes intangível.
No traspassamento daquela carne – rasgamento do véu - para o que a terra protestou em trevas e trovões, processou-se o rompimento da separação dos de baixo para com o Altíssimo.
O véu é uma carne. O véu é um caminho. O caminho é uma Pessoa, cuja carne é um véu, agora rasgado, portanto, traspassável.
É um caminho vivo. Mais que ir a Ele, é preciso ir Nele. Mais que encontrá-lo, por Ele se é encontrado.
É um caminho de via única. Os que voltam, na verdade nunca foram.
O véu, que é carne, carne e caminho, agora rasgado, dá acesso direto e irrestrito ao Divino. Sem intermediário, sem estágio, sem protocolo, sem cerimônia, tal e qual conseguiu o seu parceiro de cruz.
O véu está aí, pra quem quiser ver e ouvir.

(Hb 10; Mt 27; Jo 19)

terça-feira, 13 de abril de 2010

O sábio, o mentor e o fanático

Diante da impossibilidade de cura pelos meios naturais, se alguém poderia socorrer o fanático por conta da chaga mortal que lhe acometia, esse seria seu mentor, pois, em tese, seria uma pessoa que teria acesso aos segredos cabalísticos e que poderia indicar o que o doente deveria fazer para “merecer” o favor do poderes superiores.
O mentor, no entanto, vendo-se incapaz de socorrer seu discípulo, sugere-lhe que procure um famoso sábio recém chegado àquelas paragens que teria, além de profunda sabedoria, poderes estranhos. O fanático segue as orientações de seu mentor/guia/pai/cobertura espiritual e sai à procura do sábio, ainda que contrariado, pois dependente de seu mentor, o que faz não sem antes beberem um copo de água juntos.
Quando se depara com o sábio, o fanático se decepciona e retorna ao seu mentor dizendo que ele não tinha aparência de sábio, longe disso, e tampouco nenhum diploma de qualquer espécie, além de ser feio e pobre, embora eloquente e destemido. O mentor reconhece que aquela figura de fato não estava de acordo com o padrão dos que se propõem a orientar as pessoas, mas que ele tinha alguma coisa de diferente e insiste com seu discípulo dizendo que ele não precisaria fazer nada além de pedir a cura para aquela figura meio esquisita. “Vai que dá certo”, dizia o mentor, “não custa tentar”.
O fanático volta, então, munido de dinheiro – vai que precisa barganhar – e de uma toalhinha, sempre providencial nessas horas, levando consigo outros portadores da sua famigerada doença, dos quais um era um tanto díspar dos demais, o que lhe valeu o menosprezo dos outros.
Ao encontrarem o sábio eles fazem o que foram fazer. Aquele homem, capaz de ler corações, percebendo a situação remete-os de volta ao mentor, pois vê neles pessoas religiosas, que queriam a cura mas não queriam abrir mão da segurança da religião que seguiam tão bem representada e dirigida por seu líder espiritual, o mentor.
Ao retornarem, se veem curados e vão correndo contar ao mentor que a orientação dele tinha dado certo e que ele sim era um grande cara, não aquele sábio estranho.
O doente que era dessemelhante dos demais não os acompanha, pelo contrário, volta ao sábio para agradecê-lo e prestar-lhe honra, o que surpreende o sábio que acaba dando-lhe um presente caríssimo que dinheiro algum poderia comprar, presente que os demais que não voltaram ficaram sem.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Jesus x autoestima

Não sei não. Acho que Jesus não passaria pelo crivo dos psicólogos de plantão useiros e vezeiros na recomendação da elevação da autoestima (também entendida como amor próprio) como panaceia para quem não consegue lidar pacificamente consigo por não reconhecer o quanto precisa de Deus.
Jesus conta uma história em que narra uma pessoa cheia de si, confiante, praticante de boas atitudes, pretensamente justo, fiel no casamento, honesto nos negócios, próspero e feliz por essa condição, considerando que o que tem é seu e que pode arvorar-se em alguém que pode dar alguma coisa para Deus. Pessoa cheia de ascetismo, crente e que tinha um sentimento de superioridade sobre as demais pessoas que não eram como ele, considerando-as menores e desprezíveis, e por que não, descartáveis.
Quando olhamos para os crentes de hoje, os que ainda não são assim são estimulados a serem, sob pena de virem a reconhecerem-se como pessoas frustradas e perdedoras e que estariam fora do padrão aceitável para quem se propõe a seguir a bíblia.
Na mesma história Jesus mostra ainda a condição de outra pessoa. Pessoa essa desprezível na sociedade contemporânea de Jesus, considerada como integrante da parte mais baixa dela. Em tese, seria um desonesto, um materialista, avaro, enganador, cruel. Mas, diferentemente do primeiro caso da história, alguém que não ousava levantar os olhos a Deus consciente que estava de sua condição de necessitado da misericórdia de Deus, necessitado de que seus pecados fossem cobertos pelo amor de Deus. Essa sua condição revela um coração em que Deus pode operar, pois despojado de qualquer presunção ou pretensão em apresentar alguma coisa para Deus, material ou intangível, como intangível é o coração dos que têm a autoestima elevada.
Davi, um parente distante de Jesus, sentia-se como o segundo caso da história contada por Jesus. Ele, depois de doar fortunas valiosas para a construção de um templo no qual Deus seria adorado, acaba por dizer que diante de Deus ele se sentia como um estranho e que sua existência não seria mais que sombra, e que se podia dar alguma coisa para Deus era porque tinha recebido isso das mãos Dele.
Choque!!! Pasmo!!!
A conclusão da história contada por Jesus é que o segundo elemento da história, depois de reconhecer-se como se reconheceu, estava quite com Deus, tendo ainda a possibilidade de preceder àqueles que têm autoestima elevada quando da chegada do Reino de Deus.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O que vale mais: a oferta ou o altar que santifica a oferta?

Belíssima linha de raciocínio do Messias. Mais uma. Sem par, exclusiva, fenomenal. Só alguém divinamente humano/humanamente divino para ter tal capacidade. Só ele. Como perdemos quando deixamos de lê-lo para ler outros! Pois bem, de acordo com sua (des)compostura, sim porque se existiu alguém que não dava a mínima para o que achamos coerente, o politicamente correto que corresponda ao comportamento padronizado por regras de manual, teológicas inclusive, esse era o Messias, assim sendo, ele não apresentou resposta à sua pergunta. Oras! A pergunta já a trazia (a resposta) a reboque.
Só ele tinha essa capacidade: dizer tanto com tão pouco.

O que vale mais?
- a casa ou o casamento
- o ar ou o vento
- o salário ou o trabalho
- a proximidade ou a amizade
- a uniformidade ou a cumplicidade
- a arte ou o artista
- o prédio ou quem o habita
- o encontro ou a busca
- o som ou a música
- a aparência ou a transparência
- a necessidade ou a suficiência
- o terno ou o terno afeto
- a roupa ou o corpo
- o corpo ou a alma
- o sorriso ou as lágrimas
- os dedos ou os anéis
- a tinta ou os pincéis
- a preguiça ou o cansaço
- o façamos juntos ou o deixa que eu faço
- a poupança ou a liberalidade
- o seguro ou a tranquilidade
- o descansar da alma ou uma alma, cansada, mas em calma
- o karma reencarnativo ou um destino corrigido
- a predestinação ou a re-destinação
- um ventre satisfeito ou uma mente inquisidora
- a quietude da paz ou uma paz inquieta
- a auto-estima ou um conceito adequado
- o livre-arbítrio ou um arbítrio regenerado
- o amor próprio ou o amor desapegado
- a satisfação pessoal ou a satisfação por igual
O que vale mais: a oferta ou o altar que santifica a oferta?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

De Pedro e Paulo

Um, judeu
O outro, fariseu
Um, desde cedo entregue à dura lida da pescaria
O outro, desde cedo envolvido com a sagrada escritura
Um, um iletrado
O outro, muito bem formado
Um, intempestivo
O outro, extremamente reflexivo
Um, impetuoso, imprevisível
O outro, acusado de ter presença desprezível
Em comum: mudaram a história
Um, genro de sogra doente
O outro, solteirão carente
Um lançou mão de armas
O outro ensinou a lutar com outras armas
Um, de medroso a intrépido, mudou demais
O outro, de perseguidor a fugitivo, não retrocedeu jamais
Um andou sobre as águas
O outro por três vezes esteve sob as águas
Um, falante, viu seu Senhor resplandecente como o sol
O outro, eloquente, também
Em comum: dois discípulos da mais pura estirpe
Um teve uma revelação do céu
O outro subiu ao terceiro céu
Um, pobretão, achava que o rico, por si só, é um abençoado
O outro, bem colocado, achava que o rico está enroscado
Um viu Moisés e Elias no monte
O outro viu coisas que estão muito além do mais alto monte
Um, pra seu desespero, ouviu o canto do galo
O outro, desesperado, dizem que caiu do cavalo
Um deixou sua casa
O outro era construtor de barraca
Em comum: sem recursos materiais, materializaram o mover de Deus
Um, pescador de homens
O outro se dizia o maior pecador dentre os homens
Um não queria misturar-se
O outro só fazia misturar-se
Um recebeu a indicação que morreria de braços abertos
O outro tinha marcado todo o corpo
Um é tido como o primeiro papa, falácia
Do outro precisamos copiar o clamor: Maranata
Um promoveu e viveu a mais bela e fantástica comunidade
O outro combateu o bom combate
Em comum: ainda não nasceram iguais

E olha que eu não sou muito "fã" deles não. É que a admiração que tenho por Jesus e pelas coisas que ele falou é tão grande que sobra pouco para outras pessoas, a despeito do quanto tenham sido usadas pelo Espírito Santo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010





Palestra baseada em Romanos 1:20
“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas”.

Venha participar dessa palestra que mostrará as grandezas absurdamente grandes do universo e o mundo absurdamente invisível que há dentro das coisas criadas.

Objetivo principal: enriquecer e fortalecer a fé dos filhos de Deus (no sentido mais amplo possível, conforme Jesus o usava) em um mundo tão descrente e frio, e descompromissado com a fé.

“Viajaremos” do quark (a menor partícula já descoberta) até às galáxias mais distantes passando pela Cephei, a maior estrela conhecida em que caberia quase 300.000 planetas Terra.

A palestra foi construída em Power Point e vídeos.
Será distribuída uma folha com os tópicos principais da palestra.
Venha e convide pessoas de seu relacionamento.

Endereço: Rua Grupo Bandeirantes, 50 s/l - Jardim Belval - Barueri (perto do ITB)
Telefone para contato: 9398-7895

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um lamento: Sião está vazio

O título desse manifesto demonstra que a igreja está fora do lugar/estado em que deveria estar. Ela está em outro monte, o Monte Sinai.
O Monte Sinai é o monte que Deus escolheu para fazer a entrega da Lei aos judeus e para lá a igreja tem se dirigido no decorrer dos séculos.
O Monte Sião é o monte onde está a cidade do Deus vivo.
Para dirimir quaisquer dúvidas: o Antigo Testamento é Palavra de Deus e lá Ele deixou-se conhecer. Foi inspirado por Deus e serve para nossa instrução, quando se tem sabedoria pra escutá-lo falando ali, o que não é tarefa fácil.
A igreja tem cometido o grave erro de abdicar das palavras de Jesus em favor do que foi dito no Antigo Testamento. Assim sendo, não há mais discipulado em nossos dias, pois somente o evangelho é capaz de construir discípulos. O Antigo Testamento não tem essa capacidade.

Um lamento: Sião está vazio
Sião está vazio, quase abandonado
Poucas almas se encontram ali
Poucos descobriram os tesouros encravados nesse monte
Dentre esses, o mais precioso bem da terra
Incomparável, sem igual, inefável
Compreendido em algumas páginas centrais de um livro chamado bíblia
Sinai está cheio
Muitos encontram ali a guarida para seus anseios ou... medos
Insistem em ficar com as sombras, por que será?
Eis a pergunta a ser respondida:
Por que trocar o belo pelo quase belo
A realidade pela figura
O fundamental pela aparência
O eterno pelo instantâneo
O novo pelo velho
O celeste pelo terreno
O transcendente pelo transitório
Sião está vazio
O que faz vazia a terra
Carente de entendimento, de justiça
De igualdade, de desprendimento
De singeleza, de simplicidade
Sinai está cheio
Por isso tanta competição, tanta comparação
Tanta vaidade, tanta glória vã
Tanta concorrência, tanta usura
Sião está vazio
O meu coração chora, quase sangra
Como a mãe que vê o filho recusar um conselho
Para depois tê-lo sem vida em seus braços
Sião vazio é mau presságio
É ar sem vento, da vida o ocaso
Sinai está cheio
Cheio de sinais, de maravilhas, de prosperidade
Ambiente propício para as mais vis obscenidades
Egoísmo, egocentrismo, auto-estima, amor próprio
Distinção, privilégios, vantagens, presunção
A ditadura do “eu”, o império do “meu”
Sião está vazio
Por certo tudo fica vazio onde Deus está
Pois ele a tudo enche com o resplendor de sua glória
Mas, não é o caso desse lugar - que nem lugar é, senão um estado, uma condição
Pois, já na aurora da redenção ele preparou esse lugar para receber o homem
Ainda que na condição de desprezível criatura agora restaurada
Sinai está cheio
Assim, cheias ficam as pessoas
Enfatuadas, espiritualmente obesas, inanimadas
Doentes, sem jamais acabar o que começam
Sião está vazio
E “vaziando”

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Salmo 137 - Uma releitura

- Hoje já não se anda mais às margens do rio
Não, ninguém quer estar à margem
Que estar à margem é ser marginal
O anseio é por estar no centro
Ver e ser visto, ser bem quisto, ser moderno, ser aceito
- Já não há mais salgueiro
Há muito é açucareiro
“Doce é a vida, aproveitemo-la”
- A lembrança de Sião já não causa dor
As harpas já não são penduradas
Não, ao contrário, quer-se mesmo é entreter, agradar
Os pedidos são atendidos, todos
O que importa é a felicidade imediata
Os opressores estão aí e “a gente não tá nem aí”
Insistem: sejam alegres, felizes
Por que renúncia? Por que fidelidade?
Por que prantear? Por que questionar?
Então tá!
- Terra estranha? Não, terra desfrutada
Desde as entranhas, ainda que não autorizadas
- Esqueça o passado, isso é coisa de museu
O que importa é o presente, o prazer iminente
Pegue-o com as duas mãos, e não se esqueça de seu ventre
Tampouco do seu paladar
No fim, no fim é o que restará
- Se já não há mais os filhos de Edom contra quem lutar
Há, muito presente, o hedonismo
O prazer máximo com esforço mínimo
- Nãããão! Não destruam Babilônia
Ela tem jeito, com jeitinho tudo se ajeita
Ela tem tanta coisa boa, por que você a rejeita?
- Dispense-se os serviços da Pedra que a tudo esmaga
Que a tudo reduz a pó
Por que essa violência toda?
“Somos da paz”


Salmo 137
1 Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião.
2 Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas,
3 pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião.
4 Como, porém, haveríamos de entoar o canto do SENHOR em terra estranha?
5 Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita.
6 Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria.
7 Contra os filhos de Edom, lembra-te, SENHOR, do dia de Jerusalém, pois diziam: Arrasai, arrasai-a, até aos fundamentos.
8 Filha da Babilônia, que hás de ser destruída, feliz aquele que te der o pago do mal que nos fizeste.
9 Feliz aquele que pegar teus filhos e esmagá-los contra a pedra.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O menino

Ouro, incenso e mirra
Três expressões da matéria
O menino, uma expressão de Deus, aliás, expressa - por exata - imagem Dele
Ouro, incenso e mirra
Três estados da matéria: sólido, gasoso e líquido
O menino, estar não importa tanto quanto o “ser”. E ele é
Ouro, metal nobre, dos metais rei
O menino, por nobre, embora pobre, rei dos reis
Incenso, fumaça que sobe e impregna o ar
O menino, uma vida que se desfaz, desde cedo, sem desvanecer
Mirra, perfume que agrada o olfato
O menino, Deus agraciando os de baixo
Três reis? Três sábios? Três magos? Três astrólogos?
Quem sabe? O que importa?
Três homens, “desneoevangelizados”, que entenderam a gravidade do momento:
- Um menino, um evangelho, um reino, um amor
Ouro, anseio dos que amam a prosperidade
O menino, tudo o que o homem precisa, pura simplicidade
Incenso, pretensão de subir a Deus
O menino, Deus descendo ao homem
Mirra, terapêutica e embalsamadora, pretende curar e preservar
O menino, a cura de Deus que preserva a alma
Ouro, pelo quê se gastam fortunas
O menino, ele próprio a fortuna
Desafortunado quem não o vê, ainda que rico
Incenso, tipifica o sacerdócio
O menino, o sacerdote máximo, supremo
Mirra, substrato de uma árvore espinhosa
O menino, encontro certo e marcado com o espinho em forma de coroa mais que dolorosa
Ouro, anos dourados, sonhos dourados, vida dourada
O menino, humano e divino, frágil e forte, findo e infindo
Incenso, fruto de lábios que louvam
O menino, da boca de quem Deus extrai o perfeito louvor
Mirra, substância que ativa os neurônios do prazer
O menino, depois de crescido, ofertado em sacrifício como suave aroma

Não, não relegue essa história à qualidade de um conto infantil a ser contado para seus filhos ou netos.

Mente quem diz que o dinheiro a tudo compra.
Na vanguarda da história da salvação, lá estava o menino, aquecido pelo bafo de um jumento.
Algumas moedas e ele teria direito a um berço.
Algumas moedas e ele teria o aconchego de um quarto.
Alguns milênios e a teologia da prosperidade não daria crédito a uma criança assim nascida.
Mente quem diz que o dinheiro a tudo compra.
Pergunte-se, afinal: por que assim Deus quis?
A mensagem é clara, cristalina.
Não me permitirei responder. Não interferiria na sua relação com Deus.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Da santidade. Um outro lado

Por anos, talvez séculos, estabeleceu-se que aqueles conhecidos como cristãos deveriam se afastar das pessoas em nome da santidade a que eram convocados a viver. Muito dessa orientação decorre do entendimento dos termos originais da bíblia para santificação, tanto do Velho quanto do Novo Testamentos, que dão ideia de separação, isto é, essas pessoas deveriam se separar das outras, dentre outros motivos, para não se contaminarem.
Pois eu acho que dá para ter outro entendimento do conceito de santificação/separação a partir do verso 36 de João 10. Diz o texto: “... então, daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, dizeis: Tu blasfemas; porque declarei: sou Filho de Deus?”.
O entendimento é: separar para enviar, para cumprir uma missão, para desempenhar um propósito.
Pense em um agricultor que separa as melhores sementes para semear sua lavoura. Pense em um general que separa os melhores soldados para as batalhas mais importantes. Pense em um técnico esportivo de uma seleção nacional que separa os melhores atletas para as competições.
Pensou? Então me diga: uma semente pode negar o misturar-se à terra? Um soldado pode negar o enfrentamento de uma batalha? Um atleta pode negar uma convocação? Acho que só há uma resposta.
Agora pense que Deus separa (santifica) pessoas para cumprirem a missão de evangelizar a terra.
É evidente que há o aspecto moral embutido no conceito da santidade, isto é, a separação do mal, do que é errado, do que faz mal às pessoas é válido, sempre.
O que está sendo colocado é que mais do que separado de os que seguem Jesus devem entender que são separados para.
Esse conceito me parece mais próximo do que aconteceu com Jesus que foi santificado (separado) e enviado, bem por isso ele vivia misturado às pessoas, tocando-as e sendo tocado, falando-lhes e ouvindo-as.
No decorrer dos séculos, a separação do mal trouxe a reboque a separação do mau, isto é, do homem mau, que é exatamente aquele que deve ser alcançado por aqueles que seguem Jesus.
Os discípulos de Jesus não estão aqui para julgarem e condenarem as pessoas, para apontarem os dedos quase numa atitude revanchista de quem não pode usufruir das “benesses” que aqueles usufruem. Eles não estão aqui para formarem uma classe à parte, como se uns fossem melhores que outros. Não!
Esses discípulos estão aqui para apresentarem um mundo novo, uma nova vida, vida essa que prescinde dos valores materiais, dos valores da competição, da concorrência, do quem é mais santo.
Santifique-se.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Do descanso

Há um descanso para o povo de Deus
Ele não está em Canaã
Ele não está no sábado
Canaã é espaço físico, geografia
Sábado é lapso de tempo, cronometria
Há um descanso para o povo de Deus
Ele não está na consciência tranquila pelas boas ações cometidas
Ele não está no domingo
Consciência tranquila é extensão e expressão de autossuficiência
Domingo é pretexto para indolência
Há um descanso para o povo de Deus
Ele não está na segurança da prosperidade
Ele não está no sono tranquilo
Prosperidade pode ser engano que laça com promessas temporais
Sono tranquilo só o tem quem não vai além, jamais
Há um descanso para o povo de Deus
Ele não está no milagre recebido
Ele não está na superação do sofrimento
Milagre recebido, depois sempre esquecido, é desperdício
Sofrimento é mestre, da plenitude é princípio
Há um descanso para o povo de Deus
Moisés não o achou, Josué também não
Davi o procurou, mas ficou só na percepção
A geração do Mar Vermelho caiu pela provocação, erraram no coração
Há um aviso: não incorramos em tal tentação
Há um descanso para o povo de Deus
É meio e fim, parte e todo
Descendente e ascendente, sem mistério, sem engodo
É precedência e consequência, imprescindível, indispensável
Como achá-lo? Como desfrutá-lo?
Evangelho, evangelho, evangelho!
Maiores informações: Hebreus 3 e 4