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domingo, 20 de dezembro de 2015

Onde estão eles???

Onde estão eles?
Cadê esse povo?
A gente de cá precisa urgente?
Somente eles para enfrentar esse atual e caótico estado de coisas.
Arregacem as mangas e à luta.
Gandhi já morreu. O Madiba também. O Martin foi assassinado. Betinho sucumbiu à doença. Assim... a gente de cá está por sua conta e risco. Como dizia o rei do pop: “they don’t really care about us” = eles não ligam pra gente.
Eles? Quem eles? A gente de lá, a gente do poder, da capital, das empreiteiras, do capital, do rentismo, gente de valor venal, do lucro incessante, gente sem moral.
Cadê vocês?
Não quero crer que as delícias do vil metal os silenciou?
Não quero crer que as perfumarias tecnológicas os inebriou? A uns e outros.
Se tem alguém que pode tocar na gente de lá,  são vocês? À luta.
Artistas e jovens, agora é com vocês. À luta, às armas. Não as de fogo que essas não levam a nada e eles podem mais. Mas... há outras tantas. E tenham por certo que exércitos os seguirão, de todas as idades e cores e classes e tribos.
Já deu. Basta. Chega.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O bingo democrático - O salvador da pátria

O bingo democrático – O salvador da pátria

Não consigo enxergar comprometimento dos comuns com os rumos da nação nesses nossos dias de eleição.
Mais do que comprometimento “político”, o que consigo enxergar é uma torcida por esse ou aquele candidato.
“Vamos torcer aqui. Vai que ele ganha.”
Coisa meio que comparada a um jogo, ou mesmo à torcida para um time.
O comprometimento parece que consiste de criticar esse ou aquele e torcer por aquele outro, ou, no caso, outra.
Para os comuns a democracia resume-se ao voto. Assim, grande parte da turma conclama a “dar o troco nas urnas”. Hã hã. O Collor que o diga. Ou mesmo o Lulla. Ou FHC. Ou...
Então tá. Tinha pra mim que democracia deveria ser mais que isso. Eu que nem democrata sou. Mas a considerar 99,99999999% da população parece que é isso que está aí: exercer o direito democrático a cada dois anos.
Ou, quando não, fazer algumas manifestações bem pontuais (perdão pelo desgastado clichê, mas tive que usar o termo para deixar o texto bem chic) como as do ano passado em que o gigante acordou mas rapidinho dormiu de novo em seu berço esplêndido.
E haja salvador da pátria.
Esse é um dos defeitos da democracia, pelo menos da brasileira.
Tudo se resume a um salvador da pátria.
Uma grande figura que dará jeito em tudo: saúde, educação, segurança, meio ambiente, trabalho, energia, água, saneamento básico, distribuição da riqueza, eliminação da pobreza, desenvolvimento sustentável, diminuição dos juros, equilíbrio fiscal, crescimento do superávit, aumento da poupança, aposentadoria adequada, construção de creches, hospitais e escolas, mobilidade urbana, reforma política, modernização do judiciário. 
Com as redes sociais então, aí que o negócio ficou fácil mesmo.


Um patriota apátrida

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Um marciano

Fiquei imaginando que um marciano chegou no Brasil por esses dias.
Ele só ouvia falar de um tal de vexame nacional, coisa que nunca poderia ter acontecido, uma vergonha, uma irresponsabilidade, um negócio que marcaria para sempre a história e que abalara a estrutura do país.
Ao mesmo tempo ele via as pessoas chocadas, em pranto, desde as crianças aos mais velhos, até mesmo aqueles que pareciam ter uma “inteligência” acima da média.
Ele só ouvia falar de um tal de 7 a 1.
Ele foi então a alguns lugares onde pessoas feridas e doentes deveriam ser tratadas. Ele ficou chocado.
Foi também onde as pessoas deveriam ser ensinadas. Ficou chocado.
Foi ver onde a grande maioria dos terráqueos desse país moravam. Ficou chocado.
Ao se deslocar por esses lugares ele viu esses terráqueos se machucando uns aos outros. Ficou chocado.
Em suas andanças viu que uma pequena parcela desses humanos vivia muito bem enquanto a imensa maioria vivia muito mal. Ficou chocado.
Viu pessoas em uma região do país passando sede!!! Com isso ele não ficou chocado, ele ficou estarrecido.
Ele achou interessante que nesses lugares que ele visitara não se falava desse negócio de 7 a 1.
Então ele procurou saber do que se tratava esse negócio tão importante de 7 a 1 que insistia em ser falada naquelas telas retangulares e brilhantes por pessoas muito bem vestidas e eloquentes.
Mas ele não conseguiu entender e voltou triste para o seu planeta.

Ornitorrinco Madiba
Um patriota apátrida.
Não é minha pátria a pátria que me pariu.

sábado, 26 de abril de 2014

Brasil sil sil

Então tá. Estamos combinados.
Patriotismo consiste de torcer para uma equipe de atletas cujo maior senso de patriotismo consiste de vestir um uniforme colorido e que no fim de cada ano fazem boas ações que consistem de jogarem alguns jogos entre amigos para arrecadarem alimentos.
Patriotismo consiste de cantar o hino nacional à capela quando o som da caixa for desligado no estádio. Lindo isso.
Então tá.
Patriotismo não tem a ver com o vilipêndio a que estão submetendo a nação. Não. Não tem nada a ver. Não tem a ver com o escárnio a que são expostos o que habitam aqui. Não tem a ver com uns morrerem de sede enquanto outros se refastelam em banquetes. Não tem a ver com provarem que a democracia não funciona por aqui. Democracia? Oras... a democracia. Morreu!
Patriotismo não tem a ver com a revolta pela dilapidação daquela que é a maior empresa nacional e que é pública. Não tem a ver com a indignação com as verbas públicas a fundo perdido para construção de estádios e não de hospitais. Não tem a ver com o nojo do primor da corrupção sistêmica que a cada época se supera em inventividade para burlar regras e controles, com a complacência daqueles que... Deixa pra lá, vamos celebrar.


Um patriota apátrida  

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Há algo de muito podre no reino de Poliana


Esse é o tipo de artigo que não deveria ser escrito. É aquele tipo de coisa que ninguém gosta de ler. Fazer o quê? Se você é um poliana, convido-o a parar por aqui.
Penso cá com meus botões: qual a lógica que permite uma parte da humanidade se esbaldar em diversão quando outra parte se desmancha em fome e sede?
Não se trata de ser radical, se bem que um pouco de radicalidade não faz mal para ninguém.
É uma questão de coerência. Coisa que a ESPN do Brasil, com José Trajano e Juca Kfouri, deveria estar fazendo em relação à copa, quando se considera a linha editorial da emissora.
Veja: Que pai de família que se preze faria a viagem dos sonhos com os seus quando sua casa não tem saneamento básico, o pão de cada dia ou o líquido inodoro, insosso e incolor tão precioso?
Absolutamente todos dirão: “Oras! Mas... a diversão é um direito”. Pode até ser. Não é este o ponto.
Se é um direito, viria atrás dos outros que são fundamentais, por exemplo: alimento, saúde e segurança.
Para o institucional, essa sequência é fundamental. Quando não, ocorre o que estamos vendo nesse país. Escárnio.
Já disse algumas vezes que não quero a copa aqui.
Se verei os jogos? Pode até ser, sou um desportista, contudo, se os vir, os verei como veria um jogo de várzea. Não estarei torcendo como um patriota (até porque me considero apátrida). Aliás, não é o fato de torcer para a seleção de jogadores de um esporte que faz de alguém um patriota. Aliás 2: o título para a seleção brasileira de futebol, com seus riquíssimos e alienados jogadores, será um desastre para a política brasileira e um cabo eleitoral fortíssimo para a presidenta.
O conceito vale não só para a copa, mas para os grandes eventos da humanidade como olimpíadas, premiações do Oscar e que tais.
Acho que um dia as coisas irão para a balança. Ai iai iai iai iai.
Um patriota apátrida.