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sábado, 24 de março de 2018

Precisa-se!!!


Precisa-se, urgente, de uma revolução.
Armada, sim, fortemente armada, que, com menos que isso, ela sucumbirá, tombará ferida.
Armada até aos dentes, com todas as armas disponíveis. Só não as de fogo e as brancas.
Precisa-se, urgente, de um líder.
Por anos preconizei que um povo pode prescindir da figura do líder (se existe uma classe pernóstica é a classe do líder), mas, cheguei à conclusão que essa dispensa só pode ocorrer em povos evoluídos, o que não é o caso brasileiro.
Alguém do naipe de um Luther King, um Gandhi, um Mandella. Será pedir demais?
Precisa-se de uma revolução.
E ela não virá pelas redes sociais, que limitam-se à conveniente indignação do sofá.
Ela não virá “pacificamente” com a paz que instituições religiosas pregam, dada a sua isenção quanto ao momento nacional.
Ela não virá pelas elites. Não mesmo. Desportistas, artistas, jornalistas, intelectuais, políticos. Não mesmo. Eles estão inebriados, e gostosamente assentados em sua gostosa e alheia prosperidade.
Ela não virá pelos pobres. Eles estão anestesiados.
Precisa-se de uma revolução capaz de enfrentar os 3 podres poderes.
Quem vai?
Os Céus estarão com os que forem. Parece-me suficiente.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Um Zé, recolhido à insignificância da própria existência

Não sigo nenhuma linha, nenhuma bandeira me define, não sou tão grande pra isso.
Nenhuma doutrina me dirige, nenhum personagem me atrai, não sou tão inteligente pra isso.
Nenhuma organização me representa, não represento nenhuma organização, não sou tão importante pra isso.
Nenhum sistema me domina, nenhum conjunto de regras me controla, não sou tão relevante assim.
O que faço ou deixo de fazer é em consideração aos mais fracos, tão fracos quanto eu, ou menos... ou mais...
Eu me represento a mim mesmo, ninguém fala em meu nome, não tenho representantes, não sou tão poderoso assim.
O que falo ou deixo de falar é porque sei, ou não sei, e sei bem menos do que sei, isto é, quase nada, só o suficiente para saber o indispensável sobre o Indispensável.
Tenho amores, por incrível que possa parecer, amo dois homens (?), tenho mulheres, uma que já se foi, duas que saíram de mim, e uma que é duas, ou até mais, três, quatro, mas uma só.
Enfim, um andarilho, o Ornitorrinco Madiba, totalmente decepcionado com esse mundo que de mim não merece nada, senão que, o melhor de mim, para tentar resgatar aqueles que se deixaram enredar, se é que posso... acho que não, que isso é coisa pra gente importante e sabida. 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Eu, algoz de mim mesmo

Não, eu não resisto! Se a oportunidade se apresentou eu tenho que aproveitá-la. O importante é ser feliz, diz a ditadura da felicidade. 
Assim, mesmo em face do risco de pegar alguns anos de cadeia, o importante é garantir o futuro de meus filhos. Mesmo em face do risco de uma gravidez indesejada, inoportuna e prematura, o importante é desfrutar do orgasmo. Mesmo em face de ser ridicularizado na mídia, nas redes sociais, o importante é não deixar a oportunidade passar. Mesmo em face de ter minha traição conjugal descoberta, o importante é aproveitar o momento das delícias carnais. Mesmo em face de ser o protagonista de um espetáculo de horror pelos maus feitos de uma política tacanha e rasteira, o importante é ter o poder nas mãos e usurpar a ignorância das pessoas que acham que em ‘autoridade’ não se toca. Hitler adoraria viver nesse país. Mesmo em face de não ter a aprovação do Divino para minha atuação sacerdotal, o importante é “gozar” do destaque que as ingênuas turbas dão a essa classe.
Eu, algoz de mim mesmo, “fazendo o que não quero e deixando de fazer o que gostaria” (Paulo de Tarso).
Eu, algoz de mim mesmo, elevando a pós-modernidade ao mais alto grau, em que não há mais absolutos, sequer Deus, sequer a bíblia, em que cada qual faz suas próprias leis, suas próprias crenças.

Eu, algoz de mim mesmo, valendo para ambos os sexos.   

Ornitorrinco Madiba

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Teologia de calçada (2)

A vida como ela é

Afora o ser humano, que pode ser entendido como a obra prima de Deus, há outras duas criações que compõem o cenário da história universal e demonstram o poderoso arsenal criativo do Magnânimo.
São elas: a família e a igreja, nessa ordem.
Não há o que se possa falar da família que esgote a sua beleza, a sua  imprescindibilidade, a sua significância. É o que há, é o que fica, é para onde todos seguimos e onde todos nos ancoramos. No fim, no tempo dos homens, é o que permanece. É onde Deus se faz presente quase que corporeamente e onde a quintessência das relações pode ser vivida à exaustão, seja na relação conjugal, seja na relação paterno/filial.
Quem descobriu a família descobriu um tesouro de valores eternos, etéreos, cujos valores não são afetados, tampouco estabelecidos, pela valoração do vil (e maldito) metal.
Da igreja... é outra belezura.
Instrumento poderoso nas mãos do Magnânimo para trazer de volta aqueles que se distanciaram, seja por que motivo for.
Lugar de ensinamento, igualdade, correção, disciplina, “des”competição. Lugar que refuta politicagem, comparação, discriminação. Lugar onde não cabe hierarquia ou autoritarismo (outro nome para autoridades humanas) ou controles, de que tipo for.
Uma possibilidade, uma realidade, uma proximidade.
Uma cumplicidade, uma fraternidade, uma bondade.
Uma simplicidade, uma necessidade, uma naturalidade.
Capaz, sim, de expressar o Divino, quase que sensoriamente, pois que portadora de um dos maiores dos bens dados ao homem: uma biblioteca, com quatro livros fenomenais, dentre outros, que trazem as mais alvissareiras notícias do céu.
Bem verdade que há um arremedo, um plágio presente entre nós que pretende ser o representante do Divino, como se Ele pudesse ou quisesse se fazer representar.
Uma organização que valoriza o material, que ama o vil (e maldito) metal, que adora a hierarquia e o autoritarismo.
Um arremedo, e que infelizmente acaba por manchar a igreja, pois que faz muito barulho e anuncia-se como extensão do Divino, arrastando, assim, os incautos.
Uma hora isso acaba.

Ornitorrinco Madiba

sábado, 21 de março de 2015

Nessa estrada só quem pode me seguir sou eu

Tão certo quanto o ar que eu respiro
Eu sei para onde estou indo
Direi: estou indo para lugar algum
Se é certo que o sucesso não é um lugar onde se chega
Mas a jornada
Então, estou indo, sempre, sem chegar, mas já estando lá
Mesmo porque não quero chegar a lugar algum, mas a Alguém
Tão fenomenalmente amplas são as dimensões desse Alguém
Que não há uma única maneira de se chegar a Ele
Até porque se chega a Ele por Ele
Então, indo por Ele, já se chegou a Ele
Estando Nele, se está indo sem ter que chegar a qualquer lugar 
Não O reduza a um fundador de religião
A líder de uma tribo
A um serviçal cósmico
A alguém de quem se possa cobrar o que quer que seja
A alguém a quem se possa interpelar
A alguém a quem se possa esquadrinhar e definir
Quem há na minúscula existência humana que assumiu “ser” o caminho
Quem há na minúscula existência humana que assumiu “ser” a verdade
Quem há na minúscula existência humana que assumiu “ser” a vida
Fundadores de religião não tinham essa pretensão, nem a coragem
Quando líderes assumem qualquer ascendência sobre quem quer que seja, estão usurpando uma condição
Assim é
Acho!

Ornitorrinco Madiba

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Uma igreja acéfala

A igreja moderna tem vida própria. Quase se pode dizer que ela não depende de Deus para existir.
Se foi concebida como um corpo, em que a cabeça seria divina, hoje há uma criatura meio assustadora em que princípios seculares é que a sustentam com seus estatutos e diretorias democráticas, e com recursos, muitos, à disposição.
Muito se ora, mas para que o Senhor abençoe “a obra de nossas mãos”.
Ora! O que é a democracia senão o homem falando: “Deus, por favor, por um momento, recolha-se à sua soberania que agora nos precisamos nos ocupar do nosso destino, tão somente nos ilumine para que não façamos besteira, mas deixa com a gente”.
Essa não dependência é coisa antiga. Já nos primórdios da igreja os primeiros discípulos não esperaram pelo Senhor e na falta do 12º apóstolo partiram logo para o sorteio a fim de escolherem o substituto.
Tá na cara que o 12º apóstolo seria o Paulo, o de Tarso. Mas, fazer o que, né?
Como Deus é soberano ele não ligou muito não e cumpriu sua agenda.

Ele sempre cumpre sua agenda, que não é a desse século.

Ornitorrinco Madiba

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Igreja X Cristianismo II

Essa reflexão não segue um maniqueísmo estéril, isto é, ou é uma coisa ou é outra. As qualidades citadas se comunicam, conversam entre si. Bem poucas, é verdade. Diria que quase nada, mas, como absoluto só UM, então fica aberto. No entanto... pense por você quando elas se comunicam, pense por você. Não deixe ninguém pensar por você. A judaização em mim é bem próxima de zero, mas taí uma coisa que eu admiro nos judeus: eles pensam. Aliás, essa é uma das maiores marcas e características do cristianismo: seus líderes acham que devem e podem pensar pelos outros. Não póódi.
No cristianismo há autoridades. A igreja tem autorização do Magnânimo.

O cristianismo compactua. A igreja denuncia.

O cristianismo aponta o dedo. Na igreja há perdão.

No cristianismo há líderes. Na igreja há um povo.

No cristianismo há hierarquia. A igreja funciona.

No cristianismo há estatutos e regimentos. Na igreja há o evangelho.

No cristianismo há cultos. Na igreja há incultos... mas sábios.

No cristianismo há doutrinamento. Na igreja há discipulado.

No cristianismo há judaização. Na igreja há uma Nova Aliança. 

No cristianismo as decisões são pensadas e retardadas (em reuniões intermináveis). A igreja acontece.

No cristianismo há riqueza e prosperidade. Na igreja há compartilhamento.

O cristianismo é pernóstico. A igreja serve.

No cristianismo há pastores, apóstolos, reverendos, pais espirituais (seja lá o que isso signifique), patriarcas, bispos. Na igreja há diáconos.

No cristianismo há templos, como o de Salomão, objeto de desejo da imensa maioria dos seus líderes, ainda que velado. Na igreja há casas.

No cristianismo há os “ungidos” intocáveis. Na igreja há os que tocam as feridas dos outros.

No cristianismo há honrarias, e preferências, e deferências, e referências. A igreja... olha e lamenta.

No cristianismo há nariz empinado. Na igreja há cara no pó.

O cristianismo passará. A igreja não.

Ornitorrinco Madiba