terça-feira, 6 de julho de 2021
Dessas coisas
Me parece que a mágica da vida consiste em saber agradecer o que se tem.
O ar, uma cama com cobertor, ter que levantar cedo para o trabalho ou para o estudo, uma família.
Mesmo a saudade, essa danada. Eu tenho que agradecer por poder sentir saudade. E se nem saudade eu sentisse?! Acho que estaria morto, né? Ainda que vivo.
Acho que é preciso reverter o ponto: tirar o olho do que perdi (e possa talvez perder) e colocar o olho no que ganhei e no que ganho a cada dia, oras!, viver é um dom.
Em tempo: o que é meu?
É meu o que consigo segurar com as mãos, tipo um prato de comida ou um agasalho.
quinta-feira, 3 de junho de 2021
Ro de Liz XIII
Pois, eu tenho uma bela acordada.
Essa mulher exala simplicidade e ingenuidade, não daquelas que levam as pessoas a serem passadas para trás, não, mas sim aquelas características de quem acredita no potencial de superação das pessoas, que não a deixa julgá-las pela sua incapacidade de alcançar isso ou aquilo, que acredita que as pessoas não são intrinsecamente más e que torce pra que tudo lhes vá bem.
Eu sei que esses são sentimentos prosaicos, até primitivos, que não se coadunam com a postura dos seres evoluídos da modernidade.
Contudo, ela lida muito bem com isso porque sabe que esse prosaísmo e primitividade eram marcas do Seu Mestre.
Essa é uma mulher que elevou a resignação à qualidade de virtude. Pensa numa mulher descolada.
Não queira competir com ela. Você passará vergonha.
Só não no dominó.
Certa vez, num hotel em Ibiúna, tomei de 6 a zero. Perdi o rumo do quarto. Logo eu que tenho a competitividade no sangue. Isso não se faz.
Eu achava que eu era uma pessoa desapegada do dinheiro, pois ela é mais.
Ô mulher que chora, mas, não, não é um choro de fraqueza ou derrota, é choro de semeadura. Está escrito: "quem com lágrimas semeia, com júbilo ceifa".
Por mais mulheres como a Rosana.
quarta-feira, 19 de maio de 2021
Igualdade? Não!
Não! Não somos iguais.
A constituição brasileira, essa falácia, diz que “todos somos iguais perante a lei”. Mentira, uns são mais iguais do que outros perante a lei, basta ter dinheiro e influência.
Eu não tenho que querer ser igual ao rico, como não tenho que querer ser igual ao pobre.
Ou, olhando por outro lado, se quero que o rico seja igual a mim, eu tenho que querer ser igual ao pobre. Óbvio ululante. E você quer, uma coisa e outra?
Cada um é cada um. Cada um vale pelo que é.
Você pode crescer, evoluir, melhorar de vida? Claro! Esse é o curso natural da vida, desde que você não perca sua identidade, não deixe de ser quem você é, e você não é igual a ninguém.
Riqueza e pobreza não deveriam definir ninguém.
Cada um tem que ser valorizado pelo que é. Um Ser, um Humano, um ser humano.
O lixeiro tem que ser valorizado (muito) por ser um humano dentro da função que ocupa, assim como a faxineira.
O CEO tem que ser valorizado pelo que é, um humano dentro da função que ocupa.
Intrínseca ou extrinsecamente ninguém vale mais que ninguém, são funções diferentes, mas são todos humanos, embora diferentes um do outro.
quinta-feira, 29 de abril de 2021
Que Deus é esse?
Deus não se impõe.
Quem se impõe seria impostor?
Etimologicamente não, mas filosoficamente cabe.
Se alguém se impõe, logo, é impostor.
É o caso de uma das mais antigas e execráveis instituições humanas: o imposto.
Por que o imposto se chama imposto? Porque ele é imposto.
O quinto dos infernos é referência à taxa de 20% paga à coroa em tempos antanhos.
Deus não se impõe.
Impõe-se quem precisa afirmar seu poder ou autoridade, como os chefes e líderes espalhados por esse mundão do meu Deus que bravateiam seu poder e autoridade.
Deus não se impõe.
Deus propõe. A C E I T E suas proposições. Adeque-se às suas proposições. É o melhor pra você.
Deus é!
E se você não aceita ou não entende e não se submete o problema é todo seu.
Deus não está a cada manhã procurando um malacabado para desferir dos céus seus raios de fúria.
Deus sequer tem humor. Isso é uma condição humana.
Deus é, amigo, Deus é.
Uma das mais belas faces de Deus, pra mim, é que Ele, e só Ele consegue, ressignifica, reescreve a nossa existência.
Ainda que demos nossas cabeçadas, Ele vem e vai propondo caminhos, mostrando rumos, indicando direções e, quando enfim cedemos, dirigindo-nos ao nosso destino.
Ele nos criou para si. Renda-se.
A insistência da vida
A vida insiste em viver.
Mas em que consiste a vida? Está vivo quem respira.
Ok. Quem respira, respira o quê?
O ar, o oxigênio.
Mas... cuidado! O oxigênio que te mantém vivo é o mesmo que te matará.
Hein?!
Sim, o mesmo oxigênio oxidará, enferrujará suas células, você ficará velho e morrerá.
Mas, então é isso? A vida consiste disso?
Não! A vida é mais que isso. A vida é mais que respiração.
Se não há o amanhã, o eterno, a coisa fica muito sem graça. “Comamos e bebamos que amanhã morreremos” e aí já era.
Não! A vida insiste em viver e transcende essa nossa limitação. Há muito mais por viver.
O corrupto, o mentiroso, o traidor, o egoísta não consegue ver essa dimensão da vida, por isso eles estão tão apegados às coisas dessa terra.
sexta-feira, 23 de abril de 2021
Um país
No cinza lúgubre do presente
Na memória saudosa do passado
Há uma nação, um país
Esgarçado, estuprado pela corrupção
Cujos corruptores transitam
pacificamente
seja nos átrios dos palácios
seja, pasmo, nos corações e mentes
amparados numa lei tácita
mas, draconiana, da compensação
que, embora maus, são dotados de carisma pessoal
Não importam seus atos, suas falas
Antes, o que representa
Aquela quimera que vai dentro de cada um
e que se insiste em dirigir a uma pessoa
seja ela boa ou má
e essa gente é má
domingo, 4 de abril de 2021
Uma trilogia cristífica e uma fé quadrimensional
Têm o meu respeito, mas minha fé está um pouco aquém disso, não consegui chegar lá.
Mais ou menos em que creio:
Tenho pra mim que a trilogia cristífica: nascimento, morte e ressurreição do Cristo é o centro da vida humana e dos acontecimentos históricos, talvez até universais. Essa trilogia, resolve, explica, pacifica, significa e encerra o Éden e lhe dá o seu devido seguimento.
O Éden e tudo que lhe segue culmina no Calvário. O Calvário explica o Éden e lhe dá sentido.
Está escrito que “o Cordeiro foi morto antes da fundação do mundo”.
Um negócio meio difícil de entender. É como aquela que “não passará essa geração até que tudo aconteça”. Em tese aquela geração passou e aquela escatologia anunciada não aconteceu.
Fato é que Deus não vê como nós vemos.
A cronologia de Deus não é a nossa.
Não entendo que Deus tenha um caderno em que estejam anotados todos os acontecimentos passados e a passar e que Ele tenha um controle sobre cada segundo que esteja correndo. Não consegui ter essa fé.
Entendo que Deus olha os pontos capitais da existência humana: o Éden, o nascimento, morte e ressurreição do Cristo e a sua volta, com um destaque para o chamamento de Abraão. O que ocorre entre esses três eventos fica por conta da humanidade.
Isso meio que explica o “não passará essa geração...”. Depois da morte e ressurreição do Cristo, no olhar de Deus, só há uma única geração que se encerra quando o Cristo voltar.
Da fé quadrimensional vou deixar para outra hora, senão isso vai ficar muito grande.